quarta-feira, 21 de novembro de 2018

CURTIÇÃO

A convite do Canal Brasil, hoje eu fui um dos cinco jurados da competição de curtas-metragens do Festival Mix Brasil patrocinada pela emissora. Assistimos aos cinco filmes mais votados pelo público e depois tivemos a difícil missão de escolher o melhor, que será comprado pelo canal e receberá um prêmio de 15 mil reais. Todos esses finalistas eram bons, e pelo menos três deles mereciam vencer. Quatro eram documentais e um, ficção - ou, suspeito eu, autoficção. Em "Reforma", o diretor pernambucano Fábio Leal também interpreta o papel principal: um homem gordo insatisfeito com seu corpo, mas que transa adoidado. E as cenas de sexo são verdadeiras: tem nu frontal, esperma, mão no pau... só faltou close na penetração. Deu vontade de votar nele só para o Canal Brasil ter que exibir, rysos. Também vem do Recife "Kibe Lanches", de Alexandre Figueirôa, que conta uma história real quase inacreditável: durante muitos anos, em uma biboca de comida árabe no bairro de Pina, funcionou nos fundos um espaço semi-secreto onde rolavam shows de drag queens e boys pelados. É uma pena que quase não haja registros desses shows, mas os depoimentos dos frequentadores são interessantes. São Paulo tinha dois representantes: "Negrume", de Diego Paulino, com várias figuras da emergente cena gay-negra-periférica, e "Do Lado Dillah", de Washington Calegari, um retrato da divina Dillah Dilluz rodado ao longo de cinco anos. Por fim, do Ceará veio "Aqueles Dois", de Émerson Maranhão, sobre dois homens trans de nome quase igual - Caio e Kaio - e destinos diferentes. Um, aceito pela família, não consegue ter um relacionamento amoroso com ninguém. O outro, rejeitado pela mãe fanática religiosa, está super resolvido e namora uma mulher linda. E então, como escolher o melhor? O júri se reuniu para um almoço, e o debate foi animado. Todos os cinco curtas falam de personagens interessantes. A tentação é votar no personagem mais bacana, quando o certo é escolher a melhor realização - aquela que conseguiu traduzir esse personagem para a tela. Depois de uma votação em dois turnos, acabou vencendo o meu favorito pessoal: "Aqueles Dois", o que mais me fez pensar. Tomara que, com essa vitória, muita gente possa ver.

(Em tempo: "Reforma" ganhou três prêmios, inclusive o de melhor curta pelo júri oficial do Festival;  "Do Lado Dillah" foi o favorito do público; e "Kibe Lanches" ainda levou uma menção honrosa. Parece concurso de talentos no orfanato  - todo mundo  ganha alguma coisa)

4 comentários:

  1. Algum destes curtas está disponível para ver online? O Youtube tem uma ferramenta para vídeos pagos, inclusive.

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  2. O Mio Babbino Caro
    Como o André diz os curtas são o "éthos" do Mix Brasil. Nada mais mágico do que nessa época do ano estar nas varias salas pelas quais passam a programação dos curtas e viajar nas mais variadas abordagens do universo LGBT+ e geralmente as trilhas sonora são de uma "beleza roubada" rs

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  3. Avisa quando for passar o vencedor. Fiquei com vontade de ver.

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