domingo, 11 de novembro de 2018

AQUISIÇÃO RECENTE


Um sinal de vitalidade da cinematografia de um país é quando ele tem um filme que poderia perfeitamente concorrer ao Oscar, mas um outro foi escolhido em seu lugar. É o caso de "Museu", que estava cotado para representar o México no prêmio da Academia até ser ofuscado por "Roma". Nenhum demérito nisso: o longa de estreia de Alonso Ruizpalacios continua sendo ótimo. O diretor conta uma história linear, baseada em um caso real, mas usa experimentalismos aqui e ali, e o resultado é revigorante. Gael García Bernal faz um sujeito desavisado que convence um amigo mais parvo ainda a ajudá-lo num grande roubo no Museu de Antropologia, que, na década de 70, ainda não tinha um forte esquema de segurança. Os dois surrupiam cerca de 140 peças pré-colombianas, mas depois se veem com um problema: não têm para quem vendê-las. Nenhum colecionador quer chegar perto de um tesouro nacional. Com estrutura de "road movie", "Museu" ganhou o prêmio de melhor roteiro no último festival de Berlim, e posiciona Ruizpalacios como o próximo grande diretor vindo do México. Nada mau para um país que, dos últimos cinco Oscars de melhor direção, levou quatro. E ainda tem imagens de arquivo da entrada triunfal da estátua monumental de Tláloc, o deus da chuva, na Cidade do México, em 1963. O monólito foi desenterrado de uma vila do interior para adornar a entrada do museu, e está lá até hoje (visitei algumas vezes o lugar). Mas me decepcionei com essas imagens, que registram um dia de sol: sempre acreditei na lenda de que Tláloc tinha feito chover torrencialmente sobre o D.F., em plena estação seca.

2 comentários:

  1. É um acinte: quatro Oscars mexicanos de melhor direção em cinco! Está na hora de transferirmos para los hermanos de arriba parte de nossa implicância com os argentinos, que receberam quatro Oscars, mas de quesitos mixurucas.

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