terça-feira, 9 de outubro de 2018

THE CATEGORY IS: REALNESS


O primeiro episódio de "Pose" é a melhor hora de TV que eu vi este ano. Os outros sete também são ótimos, mais do que justificando o hype em torno da primeira série com elenco formado majoritariamente por mulheres transexuais. Porque as histórias delas são muito inéditas, mas também são humanas: é preciso ser minion ao quadrado para não se emocionar. "Pose" cobre um fenômeno muito específico, as "houses" de Nova York no final dos anos 80. Eram casas onde bichas, travestis e outros marginalizados viviam juntos, sob o comando de uma "mãe" - uma trans mais velha e sábia, que protegia sua prole. E ainda punha todos para concorrer nos "balls", em concursos divididos nas mais absurdas categorias de elegância, glamour e, claro, pose. Foi nesse ambiente que surgiu o vogue, a dança imortalizada por Madonna com seu single de 1990 (um ano antes, eu vi membros de uma house dançando o vogue em uma festa da promoter Susanne Bartsch, na lendária boate Copacabana de NY). Mais do que qualquer troféu, todos almejam "realness": um neologismo que significa transformar em realidade o sonho que você vive por dentro, inclusive o de ser mulherrr. "Pose" ainda tem uma figura fabulosa: a "mãe" Elektra Abundance, resultado do amor proibido entre Joan Crawford e Grace Jones, divinamente defendida por Dominique Jackson, uma amazona nascida em Trinidad e Tobago. Elektra vai disputar pau a pau (hehe) com Paulina de la Mora, de "La Casa de las Flores", a categoria de melhor personagem do ano.

11 comentários:

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  2. Querem corromper as nossas crianças por todos os lados, dinheiro da Lei Rouanet usado pra fazer esse tipo de coisa.
    Daqui a pouco não vamos ter mais homens masculinos e bombados como se fossem militares nas pistas da The Week, mas um bando de afeminados marxistas fazendo pose. É preciso resolver isso aí! 🙈

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  3. Achei esteticamente fabulosos. Mas o roteiro em si é beeeeem água com açúcar, programa de maricona saudosa, final feliz em mesa de natal... Até a conservadora Aguinaldo Silva faz melhor com suas novelinhas qualquer nota...Fica pra próxima!!! Mas as monas são realmente divinas... Puro lacre e glamour!

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  4. As houses ainda existem, e a produção da série empregou mais de 100 pessoas dessa comunidade para trabalhar na frente e atrás das câmeras.

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  5. No mundo real, as tais Mães eram quase sempre ca-fe-ti-nas.
    Adoro quando o povo idealiza. SQN.

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    1. No mundo real, elas caiam nas mãos das cafetinas, porque a própria "família" as expulsavam/deserdavam.
      Adoro quando o povo idealiza. SQN.

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  6. Infelizmente eu flopei a serie, porque acabei achando o drama vivido pelos personagens retratado de forma até meio infantil. Talvez seja que por ser de Ryan Murphy eu fui com um hype muito alto pra serie. Mas eh que nem Pantera Negra: falar mal de uma producao com tamanha inclusao nao poooooode, nao, nao.

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  7. O Mio Babbino Caro
    Não cessou o tributo aos heróis dos 80'.
    A Glória dentre outros vai para Willi Ninja e a pequena Venus Xtravaganza.
    Paris is Burning sem Madonna e a cultura vira história, kiki.

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  8. Ryan Murphy não é bom diretor e se sai pior ainda como roteirista. Um absurdo aquele Emmy ter ido pra ele quando o David Lynch estava concorrendo também.

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