sábado, 27 de outubro de 2018

MOSTRUÁRIO C


E segue a Mostra de Cinema de São Paulo. Um dos melhores títulos em cartaz é "O Anjo", selecionado pela Argentina para o Oscar. A história é baseada em fatos reais: em 1971, um garoto lindinho feito um querubim começou praticando furtos em casas vazias, evoluiu para assaltos a lojas e logo estava matando a esmo. O novato Lorenzo Ferro é uma escolha perfeita para o papel, e Chino Darín (o filho de Ricardo, que está ficando tão onipresente quanto o pai) faz um sólido comparsa. Há um clima homoerótico entre os dois, o que explica alguns dos crimes do loirinho. A cópia que eu vi não estava legendada, mas a estreia no Brasil não deve demorar, No te lo pierdas.

Melhor ainda é o islandês "Uma Mulher em Guerra", também na corrida pelo Oscar. A protagonista é uma cinquentona que derruba a flechadas incendiárias as linhas de transmissão que ajudam a Islândia a investir na indústria pesada. Trata-se de uma ecoterrorista, mas de coração mole: ela também foi aprovada para adotar uma menina que perdeu a família na guerra civil na Ucrânia. O roteiro é engraçado e inteligente, mas tem um trucão que telegrafa o desfecho. Mesmo assim, o filme diverte, comove e faz pensar. Já foi para a lista dos 10 mais de 2018.

Este não é o caso de "Peregrinação", que Portugal escolheu para o Oscar no lugar do bem superior "Diamantino". O trailer acima sugere uma versão espetacular do clássico relato de Fernão Mendes Pinto de suas andanças pelo Oriente no século 16. O sujeito foi o Marco Polo português e só não se tornou famoso no mundo inteiro porque era, bem, português. Mas o longa de João Botelho quer ser um épico de época com orçamento limitado. Além do mais, predomina aquele clima meditativo, inaugurado por Manoel de Oliveira. Pelo menos há uma boa ideia: um bando de marinheiros que cantam de vez em quando, funcionando como um coro grego.

"Poderia Me Perdoar?" pode dar a Melissa McCarthy sua segunda indicação ao Oscar (e a primeira como atriz principal). Ela faz uma escritora falida que melhora suas finanças falsificando e vendendo cartas de celebridades mortas, e está mesmo ótima no papel. Que não é tão longe assim das comédias escrachadas que costuma fazer, mas também tem uma boa carga dramática. O caso de Lee Israel abalou o meio literário americano no começo dos anos 90, que o filme capta com humor e amargura. Richard E. Grant também pode ser indicado, pelo papel do amigo gay. Este ótimo filme já está legendado e deve estrear no Brasil no começo do ano que vem.

3 comentários:

  1. Amo Portugal,mas o cinema deles é complicado...

    ResponderExcluir
  2. El Ángel tem alguma relação com Plata Quemada?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não. Só o fato de ambos serem filmes argentinos. A viadagem em "El Ángel" é abafada.

      Excluir