quinta-feira, 25 de outubro de 2018

MOSTRUÁRIO B


Um dos meus objetivos na Mostra de SP é ver o maior número possível de concorrentes ao Oscar de filme estrangeiro. Foi por este critério que cheguei ao obscuro "Gutland", que representará Luxemburgo na disputa. E não é que é bom? A trama gira em torno de um assaltante alemão que, fugindo da polícia de seu país, encontra refúgio em uma pequena cidade luxemburguesa. À medida em que se integra ao lugar, vai percebendo que há um segredo no ar, que une quase todos os habitantes. Mais não posso contar. Duvido que seja indicado, mas é um thriller psicológico interessante.

O escolhido pela Polônia, "Guerra Fria" é bem mais badalado, porque o diretor Pawa\el Pawlikowski venceu o Oscar de filme estrangeiro de 2014 com o superestimado "Ida". Aqui ele continua trabalhando em preto-e-branco, e a fotografia sublime é perfeita para a história de amor entre um músico e uma cantora nos anos 1950, nos dois lados da Cortina de Ferro. Há números musicais belíssimos, uma química palpável entre os atores e um olhar de relance sobre o pop dos comunistas. Mas o final me deixou encafifado: por quê? Por quêêêêê?? Mas isso é birra minha. Com ótimas críticas, "Guerra Fria" já é um dos favoritos ao prêmio.

O americano "O Mau Exemplo de Cameron Post" não concorre ao Oscar de filme estrangeiro, claro. Venceu o último Festival de Sundance e traz um tema da hora: a infame "cura gay". A personagem-título é uma adolescente que, depois de flagrada aos beijos com outra mina, é despacha pela família para uma clínica religiosa, onde é submetida a uma lavagem cerebral à custa de muitas orações e rodas de violão. A plateia aplaudia cada revés que os evanjas levavam, e no final teve até grito de "Haddad 13". Isto quer dizer que este filme tão contundente estava pregando aos convertidos. Pena, pois trata-se de um longa que deveria passar na TV, em horário nobre.

Um boa surpresa foi "Ingrediente Secreto", que a Macedônia inscreveu no Oscar. Um jovem mecânico de trens vive com o pai viúvo, que tem dores lancinantes por causa de um câncer. Como não há dinheiro para comprar os remédios que aliviariam o sofrimento do velho, seu filho recorre ao ingrediente do título: a maconha, que ele usa para fazer um bolo milagroso. O problema é que o cara encontrou a droga escondida em um vagão, e não demora para os traficantes estarem em seu encalço. Mas o roteiro tem bastante humor, e o final não é óbvio. Um filme simpático, que pode até ter chances se os pessoal da Academia gostar de um beck.

Um comentário:

  1. O Mio Babbino Caro
    Realmente para acompanhar a Mostra é necessário ter um critério ou objetivo. De meu lado no auge de meu interesse pela Mostra sempre procurei as obras raras ou produções que dificilmente chegariam à nossos circuitos. Além de outras subjetividades aliás principalmente por isso. Mais, Ida não foi superestimado, simplesmente é a temática tão cara a Hollywood, não precisa dizer mais nada, e nem pode.
    Vamos aguardar passar na TV em horário nobre os filmes que deveriam passar na TV em horário nobre até lá os interessados que se desdobrem em assistir na Mostra e se refestelem ao final, mais como recompensa por seus esforços do que própriamente de receberem reforço para suas fé.

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