segunda-feira, 1 de outubro de 2018

CINEMA DA RESISTÊNCIA

É apavorante pensar que quase um terço dos brasileiros quer eleger um governo autoritário de extrema-direita. Parte desse eleitorado é formada por jovens que não viveram a ditadura militar; outra parte é de gente que sim, viveu, e quer viver de novo. Só que esse tipo de regime nunca acaba bem. Dois longas atuais ajudam a lembrar disso - e, por coincidência, também foram escolhidos por seus respectivos países para disputar o próximo Oscar de filme em língua estrangeira.
"O Banqueiro da Resistência" vai representar a Holanda, e já está disponível na Netflix. Conta a história real de dois irmãos de Amsterdam que, durante a 2a. Guerra Mundial, criaram um banco clandestino - meio que um esquema da pirâmide - para financiar a resistência aos nazistas. É o tipo do filme que o Oscar premiava automaticamente até bem pouco tempo atrás. Hoje as escolhas da Academia estão mais ousadas, mas não se deve menosprezar as chances de um título como este. É cinemão clássico, com bons e maus bem demarcados. Sem nenhuma ousadia formal, mas com uma narrativa bem conduzida. Ah, sim, e o nazismo é de direita.

Mais próximo de nós no tempo e no espaço é "Uma Noite de 12 Anos", o candidato do Uruguai. O filme resume em duas horas o imenso período em que três militantes de esquerda permaneceram na cadeia - entre eles, o futuro presidente José Mujica. Ficaram em cana durante toda a ditadura militar que dominou o país, de 1973 a 1985, sofrendo torturas e todo tipo de privação. "Deviam ter sido mortos", vai zurrar algum asno pró-Bozo. Não, não deviam: os milicos, além de tudo, arrasaram com a economia uruguaia, que só se recuperou com a redemocratização. Se hoje o país é quase um oásis na região, é muito graças a Mujica.


Taí um aspecto positivo da ditadura: depois que acaba, ela rende bons filmes.

7 comentários:

  1. Uruguai, onde militar que dá pitaco em política vai PRESO!

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  2. Está também nos cinemas Os invisíveis, filme alemão, sobre os judeus que permaneceram em Berlim durante a segunda a guerra. Imperdível!!

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  3. Tony, o PT, caso ganhe, pode vir bem autoritário e ainda mais corrupto. É um partido que perdeu o medo e a vergonha. Sabem que seu eleitorado não dão a mínima para denúncias e condenações. Não tô defendendo Bolsonaro. Resumindo, estamos numa sinuca de bico. Vontade de votar nulo no segundo turno. Não tem jeito isso aqui não.

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    1. "Tony, o PT, caso ganhe, pode vir bem autoritário e ainda mais corrupto" Uma coisa que o pt tem é conhecimento do jogo e das forças políticas, tanto que na questão do kit anti homofobia abriram mão do programa e disseram coisas absurdas para não apavorar eleitores conservadores e a bancada conservadora. Já sofreram um impedimento também. Então sabe que pisar em caco de vidro pra governar. O perigoso e o congresso sabendo disso também pedir mais propina para ajudar na governabilidade.
      nICK

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    2. Vocês preferem no poder uma organização criminosa, disfarçada de ideias progressistas para enganar os idiotas, ou uma pessoa asquerosa, racista, misógina e o escambau? Sinto muito, mas é o que temos para hoje.

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  4. "Não estou defendendo Bolsonaro" se tornou uma cantilena para quem está defendendo Bolsonaro.
    G-

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