sexta-feira, 31 de agosto de 2018

ACATO À AUTORIDADE

Estou de saco cheio de ler matérias do tipo "eleitores do Bolsonazi não são loucos/burros/maus". Segundo esses textos, os bolsominions estariam apenas preocupados com a crise econômica, a corrupção e a falta de segurança. Ah, vá: só eles? Também não dá para explicar tanto apoio com a falta de educação. Os minions costumam ter escolaridade e renda mais alta que os demais brasileiros. A dúvida me carcomeu nos últimos dias, mas acho que estou chegando a uma conclusão.

O autoritarismo vem ganhando força pelo mundo afora, mas só chega de fato ao poder em países sem instituições fortes nem tradição democrática. Rússia, Turquia, Venezuela, Hungria e Filipinas são muito diferentes entre si, mas todos têm governantes autoritários que foram eleitos - pelo menos na primeira vez - democraticamente. Jogada em um mundo incerto, as populações têm saudade dos maus velhos tempos, em que não se podia criticar o governo mas havia uma certa tranquilidade. Viktor Orban, o primeiro-ministro húngaro, é um fascistinha de merda: como que um povo tão culto elegeu um boçal desses? Porque tem medo dos imigrantes muçulmanos (todo o leste europeu cristão tem trauma do império Otomano) e pouca prática na democracia, depois dos jugos consecutivos do nazismo e do comunismo.

Existe uma exceção entre esses proto-ditadores: Donald Trump, que chefia a mais sólida e antiga democracia do mundo. Trump só foi eleito por causa de uma bizarrice do século 18, o Colégio Eleitoral, mas ainda tem cerca de 40% de apoio. Como se explica isto? Vou arriscar uma resposta: o machismo. O patriarcado, que percebeu que estea vivendo seus últimos dias. Homens heterossexuais não são mais os protagonistas automáticos na nossa narrativa imaginária. Não são mais o padrão e o resto da sociedade, a exceção. É só conferir os fã-clubes de todos os líderes citados: todos eles fazem muito mais sucesso entre o segmento masculino do que entre o feminino. Todos também representam a etnia dominante em seu país. Todos, em suma, simbolizam o desejo de voltar a um passado em que os homens imperavam, as mulheres apanhavam, os homossexuais eram mortos e as minorias raciais, perseguidas. Nada menos do que uma reação aos avanços progressistas das últimas décadas. Na maioria das democracias ocidentais, esse tipo de liderança até chegou perto do poder, mas não levou. E no Brasil?

10 comentários:

  1. Análise enviesada, cheia de clichês, que confunde causa com consequência e que, na mesma linha dos militantes travestidos de intelectuais, busca elementos para justifificar narrativas.

    Fica claro que falta conhecimento instrumental para uma análise séria, mas defendo o direito de qualquer um dizer aquilo que for capaz de dizer.

    Beijos.

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    1. 23:10. Quem não pode atacar o argumento ataca o argumentador.

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    2. "na mesma linha dos militantes travestidos de intelectuais, busca elementos para justifificar narrativas." So faltou te chamar de comunista Tony.

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    3. Tenho certeza que este comentário foi escrito pela cópia brasileira do Milo Yiannopoulos aka Tiago Pavinatto.

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  2. Meu medo é que somos bem parecidos com as Filipinas: educação péssima há 20 anos e povo revoltado com a corripcor mas louco pra ter uma vaguinha de corrupto pra chamar de sua.

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  3. O Mio Babbino Caro
    Atendendo aos apelos da DeFunta e que não se deu por satisfeita.
    Eu resumiria como já citei aqui: É O canto de cisne dos "WASP" e R.I.P.!!!

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  4. E no Brasil, dois dos estados onde o Bozo lidera são o Acre e Roraima, lugares onde muito rapidamente um número grande de imigrantes chegaram. Os dois são estados de população pequena, onde uma chegara expressiva de imigrantes (haitianos no primeiro, venezuelanos no segundo) seria significativa.

    Sobre os outros estados onde Bozo lidera é dificil achar uma explicação. O DF por exemplo. Porque?

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  5. Boa parte do que vc falou faz sentido Tony. Mas tem mais coisa. A forma como Trump, Bolsonaro, Putin e Orban mentem é muito parecida. E tem funcionado bem.

    Esse video do Vox explica: https://www.youtube.com/watch?v=nknYtlOvaQ0

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  6. Eu também acho que muito do que vemos hoje é o mesmo tudo ou nada que Alemanha e Japão (por exemplo) fizeram no final da segunda guerra quando já estavam perdendo a mesma.
    Atrocidades, geralmente, ocorrem mais ao fim de uma guerra quando o lado perdedor começa a perceber que ele vai ser o lado perdedor e, por isso, começa a agir desesperadoramente para tentar reverter essa situação.

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  7. O pior é ver brasileiros que possivelmente nunca colocaram os pés nos Estados Unidos da América elogiando o Trump...

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