segunda-feira, 9 de julho de 2018

SEM TER PARA ONDE FUGIR

Tenho ido muito ao teatro, mas vejo pouco do que os autores brasileiros contemporâneos andam escrevendo. Minimizei esta falha por uma noite assistindo a "Refúgio", que está em cartaz no SESC Bom Retiro, aqui em São Paulo, até o final de julho. Com texto e direção de Alexandre Dal Farra, o espetáculo é inquietante do começo ao fim. Cinco personagens se afligem com um misterioso fenômeno que assola o mundo: o súbito desaparecimento de pessoas, sem mais nem por quê. Até que eles mesmos começam a sumir também, num jogo amplificado pelo engenhoso cenário de Marisa Bentivegna, com paredes móveis que se combinam em caixas, e pelo uso de câmeras que transmitem em preto e branco as expressões dos atores, fazendo cinema ao vivo. Aliás, que atores: é raro que um elenco seja ele todinho bom, como é o caso deste aqui, encabeçado pelos experientes Fabiana Gugli e Marat Descartes. Densa porém acessível, com um pezinho no experimentalismo, "Refúgio" expõe a angústia, exatamente ao contrário do que seu título sugere.

Um comentário:

  1. Tem visto as montagens do Teatro Núcleo Experimental, na Barra Funda? Um primor! Se ainda não conhece, vai adorar!

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