domingo, 3 de junho de 2018

PARADA, PAISAGEM E POLÍTICA

Fiquei mais de três horas numa ilha do meio da Paulista e não vi Anitta nem Pabllo Vittar. Também não vi nenhum político em cima dos carros, nem sequer alguma das drags mais famosas do Brasil. Vi foi uma sucessão de trios elétricos padronizados, muito parecidos entre si. Alguns estavam mal identificados: não dava para saber qual segmento estava ali representado, nem pelo povo que pulava em cima deles. Mas também vi o asfalto animado como sempre e, quem sabe, um teco mais politizado? A crise interminável que vivemos, o assassinato de Marielle Franco, a ameaça do Bolsonazi, tudo isso fez com que a 22a. Parada do Orgulho LGBT de São Paulo me parecesse menos carnaval e mais passeata do que em outros anos. Tomara.

Depois de duas décadas, a Parada já meio que faz parte da paisagem de SP. Ninguém mais se choca com as drags seminuas, nem com casal gay se beijando em público. O que me chamou a atenção foi a quantidade de mulheres, mais visíveis do que antes. E também, é claro, o número de menções a Marielle, no chão e nos carros. Incrível como esses tiros saíram pela culatra: Marielle, que era desconhecida por muita gente, hoje é uma celebridade internacional, muito mais influente do que quando viva. O tema da Parada de 2018 era mesmo a representatividade política, um problema crônico dos LGBTIQ+. Somos tantos, somos mortos e, no entanto, mal conseguimos eleger quem nos defenda. Será que isto vai mudar no fim do ano?

No momento em que escrevo essas mal traçadas, ainda não surgiram relatos apavorantes de assaltos ou coisa pior. A Parada teve um momento, há cerca de dez anos, em que pareceu que ia ser engolida pela espiral de violência que nos consome no dia-a-dia. Se ela não chega exatamente a ser um programa para toda a família (antigamente tinha mais crianças), também não é mais o festival de bizarrices que até alguns gays rejeitavam. Também arrefeceu o ímpeto dos organizadores de inflar o número de participantes a cada ano: dois milhões, três, cinco, zil. Ademais, de que adianta tanta gente na rua, se depois não vamos às urnas? Então ótimo, a festa foi linda, mesmo eu não tendo visto Anitta e Pabllo Vittar. O que importa mesmo é a gente garantir em outubro todos os nossos direitos. Inclusive o de tomar vinho químico na Paulista.

40 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    A Parada e o Blog nunca foram coisas tão afins, desnecessário discorrer sobre isto. Calado se diz mais do que enunciando... Passaram-se os anos das Almadas quando elas limpavam a carteira das "bonitas" e na Parada só tinha gente "feia". Porém o estado de graça com que a maioria dos participantes, anos a fio, chegam ao final da Parada ainda é algo a merecer estudo mais aprofundado. O fenômeno que se dá na sisuda cidade de São Paulo desafia qualquer teoria mais rasa de comportamento. A Parada tem um papel como o da feira livre para os palistanos.
    Outro fator é a riqueza da premiação cidadania em Respeito à diversidade em sua 18a. Edição. Esse ano aconteceu no Memorial da América Latina. ...

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    1. Hey João aqui vc é outsider, o pessoal esta mais pra Bolsonaro. As DeFu sem guarida elegeram o blog do Tony como seu quartel general. Mas logo que articularem seu lugar de fato passarão a ofender e atacar o Tony como já fizeram é só questão de tempo. Mas o que é deles já esta guardado.
      Fora Temer!
      Marielle Presente!

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    2. 11:54 Talvez quando acordar seja tarde bixa.

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  3. Não sou tão otimista. A Parada já foi bem mais politizada, inclusive com menos aparelhamento da extrema esquerda, e, ainda assim, os gays nunca foram de oferecer muitos salários de legislador a quem quer que seja. Acho que querem evitar o inevitável desfecho: o candidato fofo que volta a ser a víbora arrogante de sempre, logo após a investidura.

    Quanto aos clichês da moda - Marielle, empoderamento das rachas, etc. -, irão passar assim que a mídia mudar o disco. Basta os anunciantes se cansarem da lacração. Nenhum tipo de mobilização dura indefinidamente.

    Ademais, alguém que sai de sua casa sem reboco para beber o famigerado vinho químico, dar bafão e fazer sexo no primeiro canto disponível, ao som de Pabllo e Anitta, com essas consoantes dobradas aí, jamais corresponderá a uma consciência política que valha. Quem se joga na Parada já tem, ou imagina ter, tudo que precisa.

    Eu parei de me enganar há uns bons dez anos. Partiu cair na Real?

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    1. Isso aí 04:40! Bora viver de amargura e lembranças ruins! You go, girl!

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    2. Anônimo, Marielle não é clichê. Pessoa pública eleita e assassinada. É um caso bem distinto de vários outros. Na boa, ridículo seu discurso. Mais conservadorismo cabloco brasileiro, que mistura noites no xvideos com um "recato" diante da sociedade...

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    3. "Ademais, alguém que sai de sua casa sem reboco para beber o famigerado vinho químico, dar bafão e fazer sexo no primeiro canto disponível, ao som de Pabllo e Anitta, com essas consoantes dobradas aí..."

      Credo, que delícia

      Manda nudes Defu

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    4. Nao faz falta viu senhora que se acha tão poderosa! Fica em casa mm, aproveita pra dar aquele faxinao!

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    5. 04:40 tudo que já foi era bem melhor nao é: a extrema esquerda...
      Idiota "EXTREMA" é fuzilar uma jovem parlamentar LGBTI+ por suas idéias e racha é sua Mãe.
      São pessoas como você que emporcalham o blog me faz sentir vergonha de vir aqui apesar da grandeza do Tony e com certeza colaborou para o pais chegar nessa merda que chegou. A vergonha é toda sua.

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    6. 04:40 "Lorelay Fox" sem consoantes dobradas como a ex seminarista gosta.kkkkk

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    7. 04:40 Não bastasse todo agressão que sofremos e ainda aguentar nossas domésticas contribui do com suas amarguras para nos tombar.

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    8. João, parece que o assassino de Marille é Preto, pobre, favelado e ligado ao crime, digo, à atividade geradora de renda típica das vítimas da sociedade.

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    9. O cara que puxou o gatilho pode ser, mas tudo indica que o mandante é branco. Cor da pele não define caráter...

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    10. Anônimo, existe uma diferença entre white e whiteness. Mas paro por aqui.

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    11. Galera, no Rio mexeu com bandido, mexeu com miliciano, leva tiro ba cara mesmo, o caso dela mostrou que chegou no nível Colômbia, não tem a ver com ela ser preta ou lesbi.

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    12. 18:26 Ui!!!! Vou avisar os FreixoSss. Pena que a consultoura não combinou à análise dela história e racismo estrutural. Seria pedir demais!
      Mas paro por aqui.

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    13. Anônimo, vc acha normal num país onde mais de 50% da população é parda ou preta o elenco inteiro de filmes ter apenas atores brancos?

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  4. Fui na micareta de ontem apesar do frio. PQP A cada ano que passa abrem os portões de um círculo mais profundo do inferno. Achei que nada superaria a parada do ano passado no quesito gente feia vomitando no meio-fio. Eu estava enganado, esta edição foi hors-concours.

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    1. Mas as Tonyas da vida insistem que é tudo lindo e vanguarda política.
      A parada é o gueto sendo gueto. Just that.

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    2. 07:47 Da próxima vez pode ficar em casa, amarga desta forma só estará envenenando nosso ambiente.

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    3. 07:47Pessoal dado o recado: "Próximo ano ninguém na Paulista" certo.

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    4. Gente do céu, porque as pessoas adoram essa mentalidade de de igreja: "só o que eu faço é o certo, e TODOS devem fazer o certo!"? Isso é insegurança?

      Nunca fui fã de ir farrear na Parada Gay (ainda não aprendei a chamar de LGBTeocaralho). Fui algumas vezes, quando novo, não me agradou muito.
      Agora, não tenho problema nenhum com quem vai considerando, mesmo com quem considera ela uma pura e simples festa.

      Se você gosta (e não vai matar ou ferir alguém) dou a maior força. Seja Feliz! Eu vou ficar em casa vendo TV agarradinho com o marido, o que é a minha felicidade.

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    5. 11:59 O que vc desejaria...Não cuspa no prato que comeu, Stonewall que garantiu você não estar em porões até hoje. Vá se informar esnobe ignorante.

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  5. O que as Gay Ellegance Classic ainda não entendem eh q ser pintosa, na parada gay ou em qualquer outro lugar desse Brasil, ainda é um ato político.

    Infelizmente.

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    1. As pessoas são valorizadas pelo que contribuem às outras, não porque lacram na cara dazinimiga. Vcs querem inventar valores que não existem. Dar pinta é somente fogo no cu, a maioria senão todas exagera a pinta pra causar, ate o dia que descobre que ninguem quer perto nem comer as Romagagas do submundo.

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    2. 10:52 Ser pintosa é ocupar o exato lugar que o machismo reservou para ti: ser a bichinha que desmunheca. Assim os círculos masculinos podem te excluir desde o primeiro momento. Muito mais difícil e verdadeiramente político é olhar em pé de igualdade no olho do outro macho, deixando bem claro que é gay e não irá abrir mão de sua masculinidade para cuidar do cabelo e da make-up da mulher dele.

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    3. 12:02/13:19 Olha aqui viada isso não te faz menos viada do que todas viadas. Isso não entra na sua cabeca. Vir pagar de bacana aqui só te faz, você sim, uma vergonha. Queira ou não se vc é viada vc é parte da comunidade Lide com isso. E pra piorar vc é brasileira sob o governo Temer kkkk
      Não, vc não é mais bacana que ninguem, vc e uma viada que precisa de ser respeitada e de direitos.
      Consegue entender!
      Viva a bicha favelada!!!

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    4. 10:52 Não adianta essas bichas acreditam que o paraíso é para elas e as outras estão condenadas.
      Até o momento quando acordarem e ver que tudo já passou.

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    5. Como disse acima, deixem as "pintosas" serem pintosas. Não faça como uma igreja neo-pentecostal e queira força-las a ser o padrão que você definiu como certo. E também deixem as "Ellegance Classic" ser o que elas querem ser. Parem de tentar ficar impondo o seu estilo de vida aos outros.

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  6. Olha pra mim todo feriadão aqui em São Paulo é mara! Foi uma chuva de G! Bala, quem, padêan, o cardápio COMPLETO! E daí? Pq não podemos nos livrar das amarras dessa sociedade e fritar um pouco do lado da caixa de som?!

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    1. Isso aí, parada pra mim é muita festinha e suruba trabalhada no prep e no skin 2 skin, nem saberia contar quantos amigos lácteos fiz no submundo do centrão onde a vida real do gay se materializa e não essa pose toda do gay militonto dos palanques mequetrefes.

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    2. 18:33 ...quantos amigos fez. É preciso saber viver amiga.
      Diga exclusivamente por vc e os seus.

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  7. Qual o saldo das mortes de bichas nas festas da parada, alguém sabe ?

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  8. 18:43 Para sua frustração: ZERO (0)

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  9. Vcs viram a quantidade de bichas na parada? Então pensem: a vasta maioria delas é ESQUERDA!!!! aqui só vem as defu da vida, minoria e sem importância alguma aparte de nos custarem grana por sugarem nos benefícios do governo!

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  10. Perfeita análise, Tony. O parada foi muito mais sóbria (em todos os sentidos) que nos anos anteriores. Aquele Carnaval como se não houvesse amanhã foi dando espaço para algo mais político e consciente que se não começarmos a pensar no amanhã podemos ser atropelados por bancadas conservadoras e a turba homofóbica. O tema do voto ainda é muito contaminado pela extrema esquerda que insiste em desqualificar qualquer candidato que não seja 100% alinhado com todas as demais políticas de esquerda. Esquecem que os LGBT não são um grupo ideológico, mas um grupo que possui afinidades pela divergência da norma sexual apenas. Querem dar a liberdade para sermos que somos desde que sejamos do jeito que eles querem. O que é um erro. Há muito gay liberal, lésbica cristã, bi não abortistas, trans anti-liberação da drogas e por aí vai... Nisso temos que aprender com a bancada religiosa, são todos conservadores no que dizem respeito a políticas religiosas, mas cada um vai para um lado nas outras ideologias. Você tem de padre comunista a pastor extreme-capitalista se unindo para conservar a "moral e bons costumes" cristãos. Certo? Deixe os gay direitistas votarem em LGBTs que os apoiam, mas querem um estado pequeno. Ora, bolas! Uma coisa certa, seja qual for a ideologia, na hora que fuzil virar para o lado do LGBTS os políticos que assim forem e que tem 2 neurônios vão se juntas contra os reacionários. É instinto de sobrevivência. Querer que todos os gays estejam debaixo do mesmo guarda-chuva ideológico é ingênuo e fora da realidade. Mas podemos mostrar nossa força sendo um bloque que vota a favor das liberdades individuais para a população LGBT. Isso sim.

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    1. 11:29 Quero ser teu amigo!

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