terça-feira, 8 de maio de 2018

PARKINSON DE DIVERSÕES


Ontem eu mediei o debate que se seguiu à sessão gratuita de "Todos os Paulos do Mundo", promovida pela Folha em São Paulo. Participaram os diretores Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira e a atriz Helena Ignez, que aparece no filme. Foi difícil manter a objetividade jornalística: eu simplesmente adorei o documentário sobre Paulo José, um ator que me acompanha desde que eu sou criança. Foi uma delícia rever cenas de que eu me lembrava perfeitamente, como a da briga com Marília Pera em "O Rei da Noite", ou outras que estavam escondidas na memória, como o especial "O Ovo" (de um tempo em que a Globo exibia textos de Eugène Ionesco no horário nobre). Mas o que me impressionou mesmo foi a forma que os realizadores encontraram para o filme. Ele é quase todo feito por imagens dos longas e programas que Paulo José fez ao longo de quase 60 anos, com algumas fotos de arquivo no começo e algumas tomadas recentes, com ele já fragilizado pelo mal de Parkinson. Todo o texto vem do próprio Paulo José, e é dito por ele mesmo (em antigas entrevistas) ou lido por seus colegas de profissão, como Fernanda Montenegro, Selton Mello, Fernanda Torres e Helena Ignez. A montagem impecável também ressalta a arma secreta de Paulo José: o olhar, instigante, vulnerável, sempre procurando respostas e/ou uma rota de fuga. E ainda tem a relação admirável dele com a doença, que nunca o derrubou. Ao contrário: o Parkinson fez com que ele produzisse mais nos últimos anos, fizesse aulas de canto, se mexesse (o título deste post é uma expressão do próprio ator, que, no entanto, não é dita no filme). O cinema brasileiro tem se revelado pródigo em documentários sobre grandes figuras da nossa cultura, e "Todos os Paulos do Mundo" ocupa um lugar de destaque neste gênero. É um filme rigoroso e emocionante, à altura de seu homenageado.

6 comentários:

  1. Sim. Sim tenho visto os últimos e recentes documentários e tem sido fantásticos: Torquato Neto, Rogério Duarte... A Imagem da Tolerância, Ex-Pajê e outros. Irei ver este.

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  2. Em tempo:PajÉ...ou seremos crucificados pelas normalistas, mesmo que seja um erro de digitação...

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    1. Babu @ 15:37. Erro de digitação é uma coisa normal, como o que a pessoa ai de cima cometeu. Bem diferente disso é aquela sua vírgula separando sujeito e predicado, que você se esforça para tratar com ironia, mas que no fundo é só alfabetização precária mesmo. Seja mais humilde e aceite quando tentam lhe ajudar. Se até o dono do blog - colunista da Folha e tudo - aceita e agradece quando é corrigido, você também pode. Não há mal nenhum nisso. O mal é jurar que está arrasando quando não consegue nem se expressar de forma coerente.

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    2. Babu???? Sujeito predicado Saramago e terapia pra sua obsessão...não tenho muita preocupação com isso,, ,, não me tira o sono,,, só isso,,, sou brasileiro de estatura mediana.
      Passar bem menina!
      Mas saiba,,,,eu sei muito bem o que sou!

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  3. Só para destacar que a novela Por amor está no ar e ele arrasava como um pai de família desempregado que sofria de alcoolismo.

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  4. Interessante. Muito interessante. Tanto o documentário quando a lição de vida que o Paulo passa em sua forma de encarar essa doença.

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