terça-feira, 10 de abril de 2018

A BORDO DO GIANT IBIS

Quem é que vai para o Camboja por terra? Nós, que temos mais tempo do que dinheiro. Quando digo nós, somos só eu e meu marido. O imenso grupo de amigos que viajou junto durante dez dias se dispersou hoje, depois de um jantar de despedida em Bangkok. Como eu acho que o Sudeste da Ásia é longe demais para ficarmos tão pouco tempo, esticamos a viagem em mais uma semana. E hoje de manhã embarcamos em um ônibus da empresa Giant Ibis rumo a Siem Reap, a cidade cambojana próxima às ruínas de Angkor. Busão de luxo: poltronas reclináveis, ar condicionado, wi-fi, Nescafé latte em latinha. Levamos umas duas horas para sair do conglomerado urbano da capital da Tailândia, que tem muitas fábricas e um trânsito intenso. Depois de uma parada em um 7-Eleven que era praticamente um supermercado, a estrada mudou e fluímos bem até a fronteira. Um pouco antes de chegarmos lá, o comissário de bordo recolheu passaportes, formulários preenchidos e o equivalente a 40 dólares. O ônibus parou em um lugar esquisito, onde só haviam lojinhas fuleiras, e o comissário saltou. Voltou 20 minutos depois com nossos vistos de entrada devidamente estampados nos passaportes e misteriosamente assinados pelo cônsul cambojano. Na fronteira em si, começou o choque cultural. Tivemos que trocar de ônibus, mas para um idêntico ao primeiro e também com placa de Phnom Penh. Só que antes de reembarcar, uma certa via-crúcis. Primeiro, filas quilométricas para sair da Tailândia, num calor infernal. Logo em seguida, atravessamos um riacho imundo e cheio de lixo. A ponte já estava cheia de crianças esfarrapadas pedindo esmolas. Antes mesmo da imigração do Camboja, cassinos resplandecentes para arrancar dinheiro dos thais. Passado o controle de passaportes, subimos no novo ônibus, ganhamos quentinhas de arroz com carne de porco moída e entramos no Terceiro Mundo. Tudo o que não vimos na Tailândia, estamos vendo no Camboja: sujeira, miséria, bagunça. E motoristas que não fazem a menor cerimônia para ultrapassar o que quer que seja na estrada de pista única, pontilhada de postos de gasolina e vendinhas pobrinhas. Não imaginei que o contraste entre os dois países fosse tão grande. Agora estou exausto, mas contente com a aventura. E criando coragem para encarar a mesma maratona no sentido contrário, na sexta.

12 comentários:

  1. As ruínas de Angkor valerão o esforço!

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  2. Viajar pra ver pobre, deeeeeuuussss me dibre!

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    1. Algum problema, Vera Fischer?

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    2. (12h35) O pior tipo de pobreza é achar que conhecer uma cultura milenar é "ver pobre".

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    3. Riqueza é a acumulação de recursos que dispõem de valor: bens, dinheiro, etc. Cultural, por sua vez, é um adjectivo que qualifica aquilo que está relacionado com a cultura (o entramado simbólico formado por conhecimentos, tradições e rituais que partilham os membros de uma mesma comunidade).

      A noção de riqueza cultural, por conseguinte, está associada aos recursos valiosos que fazem parte de uma cultura. De uma forma geral, estes recursos são simbólicos ou imateriais

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    4. Cultura é o conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização.



      Portanto, fazem parte da cultura de um povo as seguintes atividades e manifestações: música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social, etc.



      Uma das capacidades que diferenciam o ser humano dos animais irracionais é a capacidade de produção de cultura.

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    5. 12:35 Essas bichas adotaram aquelas graças a la Falabella Orth Silvetty e se tornaram essas vergonhas ambulantes por aí...essas sim, a verdadeira pobreza.

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  3. Shirley Rose - Petista Convicta10 de abril de 2018 12:42

    Tony, conte-nos: E A PIMENTA? Tens sobrevivido?!

    Shirley Rose
    VIVA O LULA!

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    1. 12:42 Aonde estavas quando mais precisávamos de vc.

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  4. Sua sorte é que, sendo brasileiro, vc já tem grande "know how" em se virar em lugares assim....

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