segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

MINHA XARÁ


Lembro direitinho do escândalo das patinadoras, que dominou o noticiário sensacionalista do começo de 1994 - até que estourou um escândalo muito maior, o do O. J. Simpson. Lembro também de como fiquei impressionado ao ver Tonya Harding competir nas Olimpíadas de Inverno daquele ano. Já acusada de ter mandado estourar os joelhos da amyga e ryval Nancy Kerrigan, minha xará adentrou a pista de gelo ao som de nada menos do que a trilha sonora de "Jurassic Park". "Essa mina tem culhão", pensei eu. Minha admiração pela moça se confirma quase 25 anos depois, quando ela é o tema de uma comédia sobre sua trágica vida. Assim como "Lady Bird", "Eu, Tonya" também fala da complicada relação entre mãe e filha. Mas vai além: o filme também chafurda no preconceito que a própria América tem contra seu lumpenproletariado, os chamados "white trash", sem modos e sem educação. Foi essa turma que elegeu Trump, e "Eu, Tonya" chega a ser desagradável em alguns momentos porque se passa integralmente no Trumpistão. Mas os tour de force de Margot Robbie, até há pouco apenas uma gostosona inconsequente, e de Allison Janney, que sempre brilhou mais na TV que no cinema, não deixam olhos e mentes se desviarem. Quase um triple axel.

5 comentários:

  1. Esse caso (e outros policiais da época, como o John Bobbit) foram eternizados em música e clipe do Weird Al: https://youtu.be/dU95v23MQ4c

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  2. Ah, sei lá. Acho meio estranho tornarem pessoas desse naipe personagens de comédia. Isso torna elas engraçadinhas e atrativas para o público. Foi assim com o Trump.

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  3. Gostei mais deste do que Lady Bird mais acho positivo ter dois filmes distintos sobre mulheres e também relação mãe e filha

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  4. O Mio Babbino Caro
    Lembro bem desse caso...os Homens e suas sombras.

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  5. Lembro também dessa história, ofuscada opor OJS. Gostei do filme, mas ele parece absolver Tonya... Duvidoso.

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