quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

AMÉLIE POULAIN E O MONSTRO


Imagine um desenho da Disney onde a princesa se masturba. Ou um thriller de espionagem que de repente se transforma num musical em preto-e-branco. Guillermo del Toro misturou todos os gêneros em "A Forma da Água", e também todos os temas políticos do momento. O filme fala de tolerância, racismo, assédio sexual, homofobia e imigração, mas no fim a mensagem é uma só: o amor. Sally Hawkins faz uma espécie de Amélie Poulain muda (mas não surda) que se encanta por uma versão mais sexy do Monstro da Lagoa Negra, numa féerie visual e auditiva que vai levar um monte de Oscars. Ainda mais porque a Academia não resiste a homenagens ao cinema, e elas são bastantes explícitas aqui. A trilha sonora inclui Carmen Miranda e "La Javanaise", mas a overdose de fofura é evitada graças a alguns momentos dolorosíssimos típicos de Del Toro, como dedos decepados ou um tiro na bochecha onde depois alguém enfia o dedo. Estranho e espetacular, "A Forma da Água" talvez seja menor do que a soma de suas partes. Setni que o impacto ficou aquém da ambição. Meu favorito desta safra continua sendo "Me Chame pelo seu Nome", mas esta fantasia hipnótica merece todas as indicações que teve. E reparou que o monstro é brasileiro? A Cris B. vai adorar conhecer.

13 comentários:

  1. A propósito, já viu God's own country?

    ResponderExcluir
  2. Essa a minha grande dúvida. Será que a Disney vai deixar filmes assim serem produzidos depois que a compra se concretizar???

    ResponderExcluir
  3. Tony e a sua mágica habilidade de escrever um texto ótimo sobre um filme péssimo! concordei plenamente com : ""A Forma da Água" talvez seja menor do que a soma de suas partes."
    É exatamente isso....e, portanto, não merece nenhum dos principais Oscars.

    ResponderExcluir
  4. numa féerie visual e auditiva que vai levar um monte de Oscars. +1
    E sou da opinião que é um grande filme sim!
    Embora eu tb fico com MCPSN, claro. Pq aqui só tem bicha, graças a Deus.
    Olha que leva melhor filme, hein - que eu esteja errado! E tenha de vir aqui pagar minha língua UY

    ResponderExcluir
  5. tonya - a senhora já assistiu the marvelous mrs. maisel? assisti ao longo de janeiro, e ADOREI - vou começar agora - como uma boa bicha atrasada - a big little lies - porque a senhora viu antes e comentou aqui. 2018 será daqueles de engatilhar UY um filme no outro...

    ResponderExcluir
  6. Oscar pra Me chame, outro filme sobre enrustidos se enrustindo após férias de muito sexo? Bitch, hell no!

    ResponderExcluir
  7. 12:11 até onde eu sei o Elio saiu muito bem do armário - quem voltou pra ele porque de repente nem era tão gay assim foi 'a' Oliver - presta atenção LHEYNDA

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é. Fora que o filme se passa em 1983 - vocês acham que era fácil sair do armário naquela época?

      Eu mesmo só escancarei em 2007, quando comecei este blog.

      Excluir
  8. CONCORDO TONY O FILME É BOM, MAS NAO É DIGNO DE OSCAR NAO! DO DIRETOR PREFIRO LABIRINTO DO FAUNO.

    ResponderExcluir
  9. Acabei de ver A FORMA DA ÁGUA e gostei muito.

    Você notou que o ator Michael Stuhlbarg, que faz o cientista que estava em contato com os russos, é o pai do Elio em Me Chama Pelo Seu Nome?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, claro. Ele também aparece em “The Post” como o editor do New York Times.

      Excluir