domingo, 28 de janeiro de 2018

UNICÓRNIOS NÃO EXISTEM

Já faz parte do folclore o sujeito homofóbico, político e/ou religioso, que um belo dia é flagrando chupando rola no banheiro da Rodoviária. Mas existem maneiras mais sutis da homofobia introjetada se manifestar. Uma delas são os chamados "unicórnios": homens assumidamente gays que, no entanto, se casam com mulheres, têm filhos e se dizem abençoados pelo Senhor. Aqui no Brasil há vários casos de ex-gays evangélicos. Nos EUA, a categoria dá um passo além: os caras admitem que ainda sentem atração pelo mesmo sexo, mas que a fé em Deus e o amor de uma boa moça os reconduziram ao caminho da salvação. Um dos unicórnios mais famosos era Josh Weed, criado na Igreja Mórmon - uma das denominações mais intolerantes com a homossexualidade. Cinco anos atrás, já casado com Lolly e pai de uma ninhada, Josh contou sua história em seu blog, The Weed, e imediatamente viralizou. Deu entrevistas, foi a programas de TV e se transformou num exemplo - e numa arma - das igrejas contra as bichinhas de seus rebanhos.

Agora não mais. Na semana passada, através de um textão em seu blog, Josh anunciou que ele e Lolly estão se divorciando. O texto é realmente longo e doloroso, cheio de rebuscadas refutações a princípios religiosos, mas termina com um pedido de desculpas a todos os LGBT que possam ter sofrido por causa do casamento unicorniano de Josh Weed. É uma atitude digna e corajosa, além de, é claro, um golpe considerável nos homofóbicos que usavam esse caso para "iluminar" as gueis. Veja bem, eu acredito na fluidez da orientação sexual, e acho perfeitamente possível que um gay se case com uma mulher hétero e seja feliz. Mas esta relação tem que ser construída sem mentir (especialmente para si mesmo) nem se dobrar aos ensinamentos de quem quer que seja. Josh Weed enfim caiu na real. Que continue servindo de exemplo, mas agora ao contrário.

26 comentários:

  1. eu tenho pena da ex-mulher dele, a unicorna!

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    1. 16:19 Ela sabia com o que estava se metendo...

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  2. Eu fui amante de um desses padres carismáticos por quase cinco anos, quando ele ficou insuportavelmente conhecido e as escapadas se tornaram cada vez mais mirabolantes achei melhor seguir meu caminho. Tenho que assumir que era tudo muito divertido e amoroso, mas olhando agora vejo que tudo também foi muito triste para ele. Inclusive você vê que a pressão é muito grande. Mas sempre entendi que para ele a religiosidade era mais importante do que viver plenamente sua sexualidade. E nisso ele foi e é muito autêntico. Com suas palavras já salvou a vida de muita gente. Ironicamente quando estávamos juntos ele sempre falava dos padres tarja preta, que para aguentar uma vida parcialmente dupla teria que tomar remédios dos mais controlados. E parece que está indo para o mesmo caminho. Quero que seja feliz. Pena que ele não poderá ter as duas coisas. Mas o que fazer quando aquilo que é mais importante na sua vida entra em conflito com o que você é?

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    1. 16:27 Quando lembro das imensas baixarias que presenciei, das inúmeras pessoas do mais baixo nível e sem nenhum caráter que conheci no meio LGBTQ+, nos "casais" que não se respeitavam e viviam de orgia em orgia, no compulsivo uso de drogas e na arrogância das gays que olhavam os outros por cima, chego à conclusão que a escolha do tal padre talvez nem seja tão ruim.

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    2. Muito triste saber q vidas foram tão amargas em nome de um ideal religioso ou familiar. Conheço alguns q se suicidaram. Pena mesmo.

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    3. 17:48 Concordo, heteros têm histórias podres de relacionamentos, mas as gays conseguem caprichar bastante quando querem arruinar alguém.

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    4. 17:48 e 20:28 Não generalizem as coisas. É da generalização que nasce o preconceito. Só porque os parceiros de vocês é ou foram uma bosta, não significa que todos são assim.

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    5. 16:27 "O que fazer quando aquilo que é mais importante na sua vida entra em conflito com o que você é?" Se aceitar, e passar a procurar outra coisa importante para a sua vida que não te obrigue a viver em negação.

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    6. 19:09 o índice de suicídio não diminui entre aqueles que se assumem gays, ou fazem a transição de gênero. Na verdade aumenta.

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  3. aiaiai. Dicas netflix?

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    1. Já dou todo dia na coluna Multitela, beee.

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  4. O Mio Babbino Caro
    Ainda haveria necessidade desse tipo deG^ comportamento? Creio que não. Quem toma essa decisão tem que arcar com as inevitáveis consequências que são sempre delicadas e dramáticas.

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  5. "Mas esta relação tem que ser construída sem mentir (especialmente para si mesmo) nem se dobrar aos ensinamentos de quem quer que seja"

    Mas aí vc está cagando regra, ou pior, decretando qual relação é legitima e qual não é. Em um assunto completamente subjetivo e confuso (dentro da cabeça de muitos gays e heteros que tem desejos fluídos).
    E, pra piorar mais, desqualifica a pessoa que, pela razão que for, resolver viver algo que entende melhor pra si mesmo.
    Achei um pouco imaturo e pretensioso, ainda mais pra quem casou com homem que teve filho com mulher.
    Mas não estou criticando, estou ponderando.
    Abraços.

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  6. "acredito na fluidez da orientação sexual". Tanto um gay querer experimentar com uma mulher e um homem hetero com outro homem. Porém sou contra quem consegue fluir sexualmente ache que todos também consigam (acredito que a maioria dos humanos seja fluidos, mas cada um sabe o momento de fazer uso da fluidez ou talvez nunca se faça o uso dela)
    Nick

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  7. Pois eu quero que todas as evanjas sem exceções se fodam!!!!

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    1. E eu não vou chorar por nenhum padre suicida! :D

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    2. Isso não atinge os evangélicos. Na narrativa deles, Weed sucumbiu ao demônio e queimará no inferno. Vida que segue.

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  8. Eh... Ele achou que conseguia ser bissexual, mas não deu... Pensando bem, dar, ele deve deve ter dado bastante.

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  9. Tenho dó dessas pessoas que deixam de viver uma vida plena por não conseguir ignorar a opinião alheia.

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    1. 21:14 Não é tão fácil assim. Nem todo mundo tem tanta certeza assim. A vida é complicada.

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  10. Gente desse tipo pra mim, por mais que reconheça todas as merdas que fez e as mentiras que propagou, não merece respeito. Porque no fim causou um mal danado para gays. Josh é mais um gay homofóbico, que se diz arrependido, e por conta da maior liberação da homossexualidade, vem a público e pede perdão. Ele lembra o ex-assessor de Bush na campanha de 2004, Ken Mehlman. Ken é gay, e mesmo assim assessorou Bush que fez uma campanha super homofóbica, e foi reeleito em boa parte porque alimentou ódio aos gays. Ken depois assumiu homossexualidade, e disse, olha só, que Bush não é homofóbico. Imagina Ken, homofóbico é quem luta pelos direitos LGBTQ. Que escroto esse Ken por dizer isso. Ken hoje paga de defensor de direitos gays, e age como se não tivesse feito tanto mal aos gays. Honestamente, esse tipo de gente faz tanto mal aos LGBTQs que não sei se merecem algum perdão. Por mim, jamais os perdoaria, mas entendo quem possa perdoá-los.

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    1. 22:12 Esse pensamento metonímico, além de levá-lo a lugar nenhum, está evidentemente lhe fazendo muito mal. Concentre-se na sua individualidade e tente equacionar as suas questões em vez de se entregar em holocausto a uma sopa de letrinhas.

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  11. Eu me casaria ombro a Ramalho Gretchen.

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  12. Como assim acredita na fluidez de orientação sexual?

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    1. 14:42 É o mais novo hit da modinha do politicamente correto.

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