quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

TRANSTUPIDEZ

Um ator cisgênero pode interpretar um personagem trans? É claro que pode. Um ator pode interpretar qualquer coisa: ser no palco o que não se é na vida real é uma das premissas básicas das artes cênicas. Mas um grupo de ativistas de Belo Horizonte achou por bem protestar contra a exibição do monólogo "Gisberta", baseado na história real de uma trans brasileira assassinada há dez anos em Portugal (e que rendeu uma canção épica de Perdro Abrunhosa, gravada no Brasil por Maria Bethânia). O motivo? O ator Luís Lobianco, integrante do Porta dos Fundos, é cis. Ou seja, é "transfake", segundo os burraldos que não fazem a puta ideia do que seja teatro. Pois é, macacada: teatro não é documentário, não precisa ser "de verdade", não é feito só para promover a visibilidade ou a aceitação de quem quer que seja. Reduzir o teatro ao "lugar de fala" e outros conceitos pseudomoderninhos é cercear a arte e tentar controlá-la, igualzinho ao que o MBL fez com a exposição "Queermuseu". Essa malta ignara ainda atropela o trabalho de atrizes trans como Nany People e Maria Clara Spinelli, que vêm fazendo papéis de mulheres cis com o maior talento e competência, nos palcos e na TV. Sim, pessoas trans precisam de emprego e respeito; não, atacar um aliado como Lobianco (que é gay assumido, além do mais) não vai ajudar a causa de ninguém. Parem de atirar em si mesmos, até porque ricocheteia em todo mundo.

ATUALIZAÇÃO: Vale a pena ler o textão que o próprio Lobianco publicou no Facebook. 

46 comentários:

  1. Redes antissociais: disseminador de ignorância e superficialidade... na maior parte das vezes, os q protestam n fazem a mais piu palida idea do que estão realmente fazendo lá, mas se der mídia, querem sair na fotinho e contar pros miguinho. Bah, massa ignara modo expandir!!!!!

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  2. Sempre lúcido e esclarecedor 😘

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  3. HAHAHAHAHAHHA
    Desculpa mas foi impossível não rir da militância de esquerda se comendo por dentro.

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    1. Não tire os outros por você.

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    2. 14:03 Porque elas seriam militantes da esquerda? Se existe bixa que defende homofobia, porque não haveria feminazi de direita?

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    3. 20:08 Não existe feminismo de direita, amigo. Na direita só há a feminilidade individual livre de coletivos.

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    4. 02:01 Vc não conhece o mundo e sua complexidade que de forma nenhuma se resume ao 0 ou 1...

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    5. 10:30 o outro anon tá certo: não existe feminismo de direita. Se falou que é feminista, a direita exclui e ponto final. Isso que você falou é tão absurdo quanto um "comunismo de direita", ou um "socialismo de direita". Esse relativismo já comprometeu sua capacidade de análise do real, colega!

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    6. Hmm, acho que existe sim. Margaret Thatcher foi um ícone da direita, e não dá para dizer que ela não era feminista.

      Existem alas da direita que pregam a mais absoluta liberdade individual, e isto inclui o feminismo.

      Apesar de muitas vezes se confundirem, nem todos os consevradores são conservadores SOCIAIS. Tem gente de direita que prega igualdade de gênero, sexo, raça e por aí vai.

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    7. Sim Tony. os de "direita" do Brasil querem menos estado na economia e mais estado na vida pessoal das pessoas. Em alguns países como o Canadá, tem menos estado na economia e na vida pessoal das pessoas. Em outros como na NOruega e Suécia, um participação equilibrada do estado na economia e pouco estado na vida privada das pessoas. Os de direita do Brasil também são favoráveis a livre circulação do capital, mas não são sobre a livre circulação do trabalho (isto é, pessoas), visto muitos "de direita" aqui e nos USA (Trump) serem contra imigrantes.
      Nick

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    8. Feminismo dentro da direita não passa de um cavalo de Troia armado pela esquerda. Period.

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    9. Margaret Thatcher feminista. Jesus Cristo socialista. Qual será a próxima dos esquerdistas?

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    10. 13:56,

      "Em outros como na NOruega e Suécia, um participação equilibrada do estado na economia e pouco estado na vida privada das pessoas." (sic) HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA Nem vale a pena discutir.

      Você sabe qual o real interesse do Partido Democrata em relação aos imigrantes? Criar uma horda de eleitores zumbis.

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  4. Clap, clap, clap! Adoro quando o Tony assume a força da racionalidade e escreve um post dando um pito nas descontroladas. Só as universitárias analfabetas não enxergam que a revolta contra o "Queermuseu" foi a outra face desse ativismo bocó. A nossa função, a das bicha de certa idade, é ensinar para as novinhas como a coisas funcionam no mundo real.

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    1. São coisas completamente diferentes. O MBL protestava para desviar atenção de todas as falcatruas que estavam acontecendo no cenário político brasileiro, com base apenas e puramente em intolerância e num moralismo hipócrita de que que o Queermuseu ia contra os bons costumes da família. Já o movimento trans luta por ter o direito de ocuparem o espaço do teatro assim como as pessoas cis tem. Por mais que alguém possa dizer que tem pessoas trans nesses espaços, é uma em um milhão... O que elas querem não é censura, não é proibir que o ator exerça sua profissão de interpretar qualquer personagem, elas que querem é poder ter essa mesma liberdade também, mas como são cerceadas disso, pelo menos poderem interpretar um papel que fala de sua identidade enquanto trans, assim como mesmo existindo liberdade artística para se interpretar qualquer personagem, geralmente o homem cis sempre faz o papel de homem cis e mulher cis de mulher cis, sendo incomum essa inversão de papeis, a não ser na comédia. O ator não deve ser proibido de nada, mas bom senso nunca fez mal a ninguém pra entender que se a sua colega de profissão não tem as mesmas chances que você de atuar quem quiser, você pode deixar a personagem trans pra ela, que você ainda terá várias outras opções de personagens para interpretar.

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  5. Tony, gostei do texto que o Lobianco postou no Facebook, porém acho que ele
    dizer que a comparação ao blackface não procede é pura e simplesmente uma vontade dele de que sejam coisas distintas. E resvala na maior bandeira dos ativistas em geral, o tal lugar de fala.
    Po outro lado, é bom que aconteça isso agora, para desmistificar esse monstro de lugar de fala, que mais emburrece do que ajuda. O Lobianco agora está experimentando o veneno das minorias ativistas que não querem só representatividade, mas exclusividade.
    E ele, como cis branco de canal de humor multimilionário (o canal, não o ator), jamais seria poupado por quem quer tomar o holofote que ele conquistou.
    Trabalhar pra chegar lá ninguém quer.

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    1. O que está sendo questionado e revindicado não é o que uma pessoa pode ou não falar/fazer, mas porque umas são mais ouvidas e tem mais oportunidades do que outras.
      Uma ator trans nas mesma condições de um ator cis tende a ser sempre rejeitado.
      Uma pessoa cis pode sim falar sobre a pauta trans, desde que ela tenha propriedade do que está falando, mas a partir do momento que a fala dela tem mais importância do que a da própria pessoa trans, existe um problema. Imagina um hétero dizer que sabe mais do que um homossexual sobre a vida homossexual e que ele tem o direito de opinar contrariamente sobre o casamento gay. Parece absurdo não?
      As pessoas trans não querem tomar nada de ninguém e trabalham mil vezes mais pra conquistar esse espaço, e ainda correm o risco de não conseguirem
      No momento infelizmente a exigência de exclusividade é a única forma de garantir a representatividade, assim como as cotas para negros, são vagas que devem ser ocupada exclusivamente por pessoas negras ou então não teria sentido se pessoas brancas pegassem essas vagas.
      Agora quando houver paridade no teatro e pessoas trans estarem nesse espaço tanto quanto pessoas cis, não haverá mais necessidade disso.

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  6. Se Lobianco não fosse da tchurminha, duvido que Tony estaria defendendo esse usurpador.

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    1. Qual tchurminha? A das pessoas legais? Aquela da qual você não faz parte?

      HAHAHAHAHAHAHAHA

      (ui, Tony, pisa menos)

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  7. Tony, qual a sua opinião? Isso é transfobia?



    Saiu na meio de hoje:
    A Superliga de Vôlei Feminino recomeçou na terça-feira com uma polêmica. Atletas dizem ter dificuldade para enfrentar a ponteira Tiffany Abreu, do Bauru, primeira mulher trans a atuar na liga. Segundo as jogadoras do Pinheiros, que perderam para o Bauru em dezembro, a diferença de força física é impressionante. “Sempre que ela estiver em quadra, ninguém mais vai ganhar”, diz a ponteira Mari. Nas três partidas em que já atuou, Tiffany marcou 70 pontos, a melhor média da competição.

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    1. É uma boa pergunta. Não sei responder. Só sei que o esporte vai ter que lidar com questões como essa cada vez mais, porque os atletas trans estão chegando "di cum força".

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    2. O esporte feminino existe precisamente pela diferença física absurda entre homens e mulheres. Qualquer atleta masculino mediano ganha de lavada de uma atleta mulher de primeira linha. Vide o jogo amistoso entre a seleção nacional de futebol da Austrália e um time de garotos sub15. Foi um massacre! O mesmo já ocorreu nos EUA, Brasil e diversos países. Estamos presenciando uma covardia, baseada na maluquice que diz ser o sexo construído socialmente. As feminazis verão os esportes femininos serem dominados por trans, e eu seguirei dando gar-ga-lha-das, tomando meu Toddy e comendo pipoca. Adoro quando a realidade expõe as vísceras do delírio

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    3. Edinancy curtiu isso

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    4. 17:37 Que euforia absurda diante de uma condição humana a ser adequada.
      Vergonha alheia desse brucutu.

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    5. Muito provavelmente vão chegar: (I) a solução que terá que haver o volei masculino, o volei feminino, o volei trans (ex masculino) e o volei trans (ex feminino); ou (II) deixar somente o esporte misto onde homem, mulher e trans jogam tudo no mesmo time.

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    6. Antes de começar a competir as pessoas trans passam por exames que são avaliados pelo comitê olímpico se podem ou não participar do time do gênero em que se identificam.
      As mulheres trans não são pessoas "com corpos de homem" disputando entre as mulheres cis ou os homens trans pessoas "com corpos de mulher" disputando entre os homens cis.
      Os hormônios alteram massa muscular e óssea dessas pessoas entre outras coisas, fazendo com que seu corpo se adeque aos das pessoas do gênero com o qual se identificam. Ou seja, o estrogênio e a testosterona no corpo da Tiffany devem estar no mesmo nível de uma atleta cis para que ela possa jogar.
      Então sim, quem está usando desse discurso de diferença de força por ela ser trans pra justificar a derrota, além de serem más perdedoras são transfóbicas.

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  8. Lobianco (que é gay assumido, além do mais) PASSADAM CONTA MAIS?

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    1. Olha ele com o namorado aqui:

      https://rd1.com.br/melhor-hora-dia-e-com-ele-derrete-se-luis-lobianco-para-namorado/

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    2. Gente, kd o gaydar dessa gente? Lobianco sempre foi uma mancha, nem uma pinta.

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    3. 17:14 você acha que o Gugu é hétero?

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    4. obrigado, tony =D

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  9. O Mio Babbino Caro
    Lobianco demonstra grandeza humana e compaixão em seu diálogo e empatia para com os manifestantes, mesmo que isso o tenha levado a ficar exausto, pois lugar de fala existe sim, quem é capaz de admitir que é no lançamento de um blog gay que o "lugar de fala" deva ser ocupado por um deputado homofóbico expondo seus disparates como aconteceu com a Folha.
    "De conversa/cravo e canela"

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    1. "Lugar de fala", do que eu vi até agora, só afasta potenciais aliados das causas justas. Está mais que na hora das militâncias atacarem seus verdadeiros inimigos, não quem está do lado delas.

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    2. Lugar de fala é uma prepotência infantil porém mercadológica, quem fala quer poder falar and faturar. Por isso não aceitam ninguém no lugar, é reserva de mercado.
      Imagina se todo pesquisador, mestrando, doutorando só pudesse estudar o que diz respeito à sua vida. É isso que esses defensores do lugar de fala estão querendo. Como se quem passou por algo necessariamente sabe falar ou refletir sobre a questao.
      Pessoas contratam escritores para ajudar a escrever suas autobiografias.
      Segundo a lógica desse pessoal, é apropriação.

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    3. A questão se defini mais por sensatez, não dá para admitir que por exemplo, um blog gay, seja "lugar de fala" de político homofóbico. E é irracional não admitir a importância da representatividade e assim por diante. É fato!
      Talvez o que incomode seja o termo, mas o fato existe e é diferente de "afastar potenciais aliados das causas justas". Se isso for motivo para um potencial aliado se afastar, tenho a impressão que esse aliado era tabajara rsrs

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    4. Lugar de fala existe. A esquerda se canibaliza. A direita ganha por W.O.

      Nunca foi tão fácil.

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    5. 11h30 para seu desgosto não é bem assim.

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    6. 20h23 a questão do lugar de fala é muito mais poder falar de si e ser ouvido, tendo essa fala tão valorizada quanto a de quem fala por ele do que propriamente de mercado.
      E mesmo que o pesquisador possa falar com propriedade sobre determinado assunto, seu local de fala pode influenciar essa pesquisa e talvez deixar algumas questões impercepitíveis. É como falar da escravidão pela perspectiva branca européia que tende a abrandar o que foi a escravidão, mesmo reconhecendo que ela tenha sido algo desumano.
      Você mesmo sem perceber falou algo que é o essencial no lugar de fala, saber do que está falando e ouvir quem vive esse lugar de fala a ser pesquisado. Se o escritor é contratado para ajudar a escrever a autobiografia de alguém, a opinião pessoal dele não deve se sobressair ao que é está sendo falado pela pessoa.
      Você enquanto branco pode e deve falar sim pelo negro sempre que puder, você cis pelo trans, você homem pela mulher, você hétero pelo gay enquanto couber a você isso, nunca tomando esse lugar e não deixando que o outro fale. Não cabe à opinião do branco decidir o que é importante ou não para o negro, não cabe ao hétero escolher o que é aceitável para o homossexual, não cabe ao cis validar as pessoas trans ou o homem julgar as escolhas das mulheres.

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    7. E não cabe a ninguém dizer que um ator não tem o direito de representar algum papel. O ator pode ser ruim, não ter o "physique du role", ser mau-caráter, etc., mas ele tem a priori, o direio de viver qualquer tipo de papel, seja o ator trans ou cis, seja o personagem cis ou trans.

      Volto a repetir: a guerra das trans por visibilidade e representatividade está certa, certíssima. Esta batalha contra o Lobianco é que está totalmente errada. Lobiano não tirou o lugar de ninguém, pelo contrário: resgatou e difundiu a história de Gisberta. Dizer que ele é "transfake" é, sim, uma forma de censura. E isto, vindo de um grupo que sofre com a censura, é inadmissível (toda censura é inamdissível, aliás).

      Acho até problemático as trans usarem o termo "fake" comsentido pejorativo, se você quer saber.

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  10. Só para complementar: Hoje em dia nem documentário precisa ser "de verdade", vide os documentários do History Channel sobre os alienígenas do passado e coisas do tipo...

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  11. Acho esse ator um tesao!

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  12. Lobianco está descobrindo o que essa segmentação de causas está se tornando o oposto de liberdade e nos proibindo da premissa básica, podermos falar o que quisermos sobre o que quisermos.
    A esquerda está revelando sua face mais ditadora a la Bolsonaro.

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    1. Bolsonaro é um bosta, mas essa esquerda que está aí é infinitamente mais prepotente, totalitária e ditatorial. Por isso ele tem se tornado uma alternativa: é o único que se opõe claramente ao horror que a hegemonia esquerdista impõe ao Brasil.

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    2. 22:26 Menos Gata!

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  13. O choro do Lovianco é livre, não tenho menor pena ou empatia. Lá no meio do chorinho dele no Facebook ele reclama que o prefeito carioca deixou a galera de teatro na mão cortando os editais mas que na última hora foi salvo por algum banco público ou estatal e levou o dinheirinho do povo pra brincar de arte.
    Enquanto estamos desempregados sem contar com nada nem ninguém, o pobrecito conta que ain reuniu os amigos que trabalharam de graça.
    Estou morrendo de pena.
    E agora não sabe lidar com a reclamação de meia dúzia de trans.
    Toma jeito, rapaz! Mimimi do c*r*lho, vai ser gente grande.

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