domingo, 21 de janeiro de 2018

CINEMA EM CENA

É curioso como David Mamet, um autor tão importante do teatro atual, foi tão pouco montado no Brasil. Além do mais porque suas peças não requerem grandes produções. O que importa em Mamet é a palavra: bastam bons atores (OK, vai, bom ator está em sempre em falta). Mas talvez achem que Mamet é americano demais. Suas obras falam de temas que sacodem a sociedade dos EUA há décadas, como o capitalismo selvagem e a correção política. "Hollywood" não foge à regra, mas finalmente ficou pertinente ao Brasil porque trata de assédio sexual. E também da ambição de dois produtores de cinema, entusiasmados com um roteiro que lhes parece ser de um grande sucesso. Cabe à nova secretária mostrar que não é bem assim, num jogo em que nem sempre fica claro quem está seduzindo quem. A direção de Gustavo Paso consegue o prodídigo de usar planos de cinema sem precisar de câmera: tem close, zoom, corte, tudo no mesmo palco. Rubens Caribé e Luciana Fávero estão ótimos, e eu me surpreendi com Iuri Saraiva, que eu nunca tinha visto e que pode virar o Adam Driver brasileiro. "Hollywood" fica em cartaz no SESC Pinheiros, em São Paulo, até 11 de fevereiro; nos fins de semana seguinte serão apresentadas duas outras peças de Mamet, "Oleana" e "Race". Aproveite.

13 comentários:

  1. Ah, Tony... Vamos combinar uma coisa: dizer que "OK, vai, bom ator está em sempre em falta" além de leviana é afetada. Se vc for no teatro, encontra pencas de bons atores que, às vezes por que se recusam mesmo, não querem entrar no mundinho deslumbrados das celebridades globais. Só pra citar alguns: Chico de Carvalho, Ricardo Gelli, Elcir de Sousa e Danilo Grangheia (esses dois até fizeram pequenas participações em novela e sempre roubam a cena). Não sei se o teu parâmetro são os bonytos da Malhação, ou até mesmo a outra expressão deslumbrada de tua parte que diz que o fulano tem que ser o novo ator gringo brasileiro (Adam Driver?). Oi? Não seria bom ele ser ele mesmo, sem essa coisa deslumbrada e colonizada de comparações? Menos, Tony!!! Vc é um formador de opinião e deve ter muito cuidado com o que diz, pra não fazer uma linha leviana tipo o teu colega de partido Aécio, hahaha, que adora esse adjetivo, rs. #trollei (com dois eles, l+l, tipo Collor, que eu já saquei que vc adora de tudo que é importado, rs)

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    1. Obrigado pela liçãozinha de moral. Aqui vai uma liçãozinha de interpretação de texto: o que eu quis dizer, evidentemente, é que uma peça que não precisa de grands cenários nem figurinos complicados, não tem necessariamente uma produção simples. Porque ela "só" precisa de grandes atores, que não costumam nascer em árvores.

      "Hollywood" consegue a proeza de ter três ótimos atores em cena. Quantos espetáculos conseguem elencos assim, tão homogêneos no talento? Tem sempre uma roda solta, alguém inexperiente ou sem o mesmo brilho que os outros. Tá assim de ator ruim no mercado, mas pelo jeito você não percebeu.

      Iuri Saraiva tem um tipo físico que lembra Adam Driver, ator-sensação nos EUA neste momento - ele é chamado para tudo e já filmou com Scorsese, Spielberg, Jarmusch... Tomara que esta mesma sorte aconteça para seu sósia brasileiro.

      Ah, outra liçãozinha: Eucir de Souza. Com u.

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    2. No Oficina tem pencas de bons atores, somente não são globalmente pasteurizado.

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    3. Ih... Esse negócio de bons atores é como boa música: o que é o paraíso para um pode ser o inferno para outro.

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    4. alguns atores de teatro tem tanta magoa de quem ganha rios de dinheiro com televisao!

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    5. E tem mais a tv produz muita merda, mas o teatro tb faz muita merda que diz que é arte ....e tb muitas pecas de teatro caca niqueis com atores do momento ou com cenas de nudez de determinada atriz x ou y.

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  2. Iuri é sócio do mesmo clube que nós e Caribe?

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  3. Detalhe: a primeira montagem desse texto, em 1988, foi também a estreia de Madonna na Broadway.

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  4. #rubenscaribe#pauzao#delicia

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