segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A ÚLTIMA SOCIALITE

É uma coincidência cósmica o fato de que, pouco mais de uma semana depois da autoproclamada socialite Day McCarthy ter despontado para a infâmia, uma verdadeira socialite - talvez a última que ainda existia no Brasil - tenha nos deixado. Carmen Mayrink Veiga imperou na vida social do Rio de Janeiro (e, por consequência, na de todo o Brasil) por mais de meio século. Tinha uma beleza lendária e um estilo inconfundível, com o cabelão negro eternamente armado emoldurando as feições aquilinas, dignas de uma estrela do cinema italiano. Aliás, estrela ela era mesmo: adorava os holofotes, e sabia posar para as câmeras. Não, nunca trabalhou para valer - mas, nos anos 90, quando as finanças da família deram uma balançada, lançou o livro "ABC de Carmen Mayrink Veiga". Era para ser um manual do bem-viver, mas tinha verbetes involuntariamente cômicos, tipo assim: "Ervas - são indispensáveis na cozinha" (ponto). Carmen perdeu dinheiro, mas jamais perdeu a pose. Sua vida glamurosa incluiu um retrato pintado por Portinari, uma enorme coleção de vestidos de alta-costura e até mesmo uma militância pela construção de rampas de acesso, depois que se tornou cadeirante no final da vida. Com ela se extingue o último vestígio da alta sociedade tradicional; se você acha que essa turma era fútil, lembre-se que a turma atual é formada por ex-participantes de realities, cantores sertanejos e blogueiras fitness, que não sabem a ordem certa dos talheres.

(Já em 2014 eu falava do fim do "high society", neste post aqui e neste outro)

25 comentários:

  1. Esse seu texto sobre o fim do high society é MA-RA-VI-LHO-SO
    Icônico!
    Lembro de ler para uns amigos meus e todos acharam incrível
    Já pensou em escrever crônicas?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se ele publicasse um livro eu ia comprar uns 10 para ficar com dois e doar os outros oito para pessoas sem noção

      Excluir
  2. Se esse país fosse sério deveria ser feriado nacional pela passagem de Dona Carmen. Primeira e única.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se esse pais fosse sério deveriam te internar numa cela alcochoada!!!!

      Excluir
  3. O Mio Babbino Caro
    Dá a impressão, que tudo - tenha nos deixado. Até os bons comentários, como se vê ao longo do tempo. Tendo tudo sido substituído por ofensas e Titi...ti.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A super exploração do trabalho pelos ricos continua

      Excluir
  4. Noossssaaaa ce jura que acabou a alta sociedade? Viver perdeu a graça!!!

    ResponderExcluir
  5. Ainda estão vivas algumas poucas socialites do tempo da Carmen, mas acho que ela foi a que se tornou mais famosa fora do Rio.

    ResponderExcluir
  6. Em tempos idos, quando o ar condicionado em carros não era imprescindível e as janelas desses ficavam abertas para o vento, uma tarde eu caminhava por Copacabana pronto para atravessar a Rua Prado Júnior. Eis que o sinal abriu para mim, mas um incrível Oldsmobile 1958 nas cores verde e creme parou diante da faixa de pedestres e atraiu minha atenção. E, conduzindo a máquina, uma mulher lindíssima, nariz de Cleópatra, tirou as mãos do volante e levou-as aos cabelos negros e volumosos, sacudindo-os no ar para se refrescar. Foi cinema puro e a estrela era Carmem.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem as bichas, esse mundo seria uó!

      Excluir
  7. Lembrei de quando surgiu o termo emergente, o ícone era Vera Loyola, o bairro era a Barra e a definição era justamente a antítese da Carmen. Novo rico, mas sem noção de classe.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E Tinha que ser donx de uma rede de Boulangerie.

      Excluir
    2. E motéis na baixada.

      Excluir
  8. Ela também teve, após a decadência financeira, uma coluna (semanal?) no jornal O Dia. Sobre moda, estilo, etiqueta, futilidades.

    ResponderExcluir
  9. Essa gente besta nunca contribuiu nada para o país. Que sejam esquecidos.

    ResponderExcluir
  10. Falou mal dos sertanojos, mas deixou de fora funk, Anitta e Ivete, como sd fossem todos cultos e finos. Mas quem tem coragem de mexer com Ivete e Anira, não é mesmo?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, mas a razão é simples: sertanejo é ruim, funk é bom.

      Fim.

      Excluir
    2. O nível caiu mesmo pra achar as letras de Kevinho bom. Não adianta, as novinhas vão continuar achando vcs velhas, mesmo vcs se esforçando pra fingir que gostam do que elas gostam.

      Excluir
  11. Acorda Tony! A elite e um horror, acumulam capital com a exploração do trabalho alheio, não trabalham retiram oportunidades deixam o povo na miséria e vc ainda acha lindo!! E são todos uns ignorantes. Luta de classes amigo!!! Eu fui ferrada pq minha musa baixou juros. É o pobre que tem classe e merece respeito e admiração se qq pessoa tem dúvidas olhem no Instagram da Lalá Rudge.

    ResponderExcluir
  12. Tony, quando vier na França, procura um livro chamado "La sociologie de la bourgeoisie" da Monique Pinçon-Charlot e do Michel Pinçon. Excelente livro super sucinto e mesmo da perspectiva parisiense é possível extrapolar um pouco a analise para o Brasil.

    E se a elite de outrora se vulgarizou, pelo menos os estratos mais baixos da sociedade largaram as amarras do analfabetismo de massa e subnutrição crônica.

    ResponderExcluir
  13. Ótima dica, li a bio da Carmen. Familia fez dinheiro na guerra do Paraguai, meio bad isso né?

    ResponderExcluir
  14. Com a passagem de Carmen Mayrink Veiga terminou uma era!Ela foi sim o glamour e o símbolo de uma era de luxo e forma de viver dos grandes milionários de um País e uma época que não existe mais.E termino dizendo, R.I.P.

    ResponderExcluir