terça-feira, 28 de novembro de 2017

START MAKING SENSE


Björk entra no estúdio sem ter a menor ideia do que vai gravar. Abre o microfone e começa a improvisar letras e melodias: auauauauauuu, blóblóblóblóbló, ffffrrrrrr, pghbvwsrxz. Depois, ela e seu produtor acrescentam harpas celestiais, percussão arrítmica, escapamentos abertos e campainhas. Pisam em cima das fitas, viram-nas pelo avesso, fervem em banho-maria. Aposto que foi assim que fizeram o álbum "Utopia" (cuja capa foi claramente inspirada na socialite racista). A música da islandesa mais famosa de todos os tempos não pode mais ser chamado de pop. Nos momentos mais iluminados, soa como a trilha sonora do comercial de um spa de luxo. Nos sombrios, lembra a cacofonia de vozes sinistras que de vez em quando destampa nas nossas cabeças. Se eu gostei? Achei sublime, irritante, sei lá. Agora vou me transformar num pirilampo.

13 comentários:

  1. Quem fez a make dela pra esse novo disco foi a drag Hungry, o trabalho dela com maquiagem é incrível...

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  2. Só eu acho o som dessa mulher chato pra caramba? Virou um ícone dos descoladinhos, e fez a fama com os videoclipes no auge da MTV. Esqueci de falar que é uma péssima atriz e usou um vestido de ganso, cisne,sei lá.

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  3. Tony, na verdade a produtora é ela. Nesse trabalho, ela conta com um co-produtor, mas ela tem total controle artístico da carreira - coisa que pouquíssima gente do quilate dela tem. Só to ressaltando isso pq foi um ponto q ela sempre fez questão de enfatizar. Esse álbum de fato é difícil, mas não é aleatório neh?

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  4. Nunca tive coragem de ouvir Bjork.

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  5. Björk era audível até Vespertine e Selmasongs. Depois virou impossível de acompanhar.

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    1. Exatamente. Homogenic obra-prima, Vespertine já baixou a bola e Selmasongs prego no caixão. Depois, inaudível. Nem o disco que fez com o Timbaland se salvou da egotrip nonsense que o som dela se tornou.

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  6. Que absurdo, ela tem letras belíssimas. "On the surface simplicity but the darkest pit in me is pagan Petry."

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  7. Tony, acho que o Põe na Roda está merecendo um post novo seu. Com todos os possíveis erros, o Pedro tem procurado fazer um conteúdo diversificado, incluindo algum besteirol, mas também pautas mais sérias e os últimos vídeos têm demonstrado isso de maneira muito notória. Vai ficando claro que quando for feita a historiografia do mundo gay na net, enquanto muitos youtubers serão esquecidos, o Põe na Roda estará lá marcando presença, como foi o caso do Mix Brasil anos anos 1990/2000.

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    1. Fazendo video sobre quem parece ativo, passivo e versátil?
      Me poupe.

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    2. Se o vídeo for o mesmo que tô pensando, ele foi publicado a 7 meses atrás e claramente seu objetivo era desconstruir a ideia do que alguém tem cara disso ou daquilo. Mas para quem tem boa vontade pode conferir lá uma pauta que claramente procura ser diversa e que não fica penas no disse-me-disse e achismo dos youtubers. Alguns casos: Como foi ser gay e sobreviver ao HIV nos anos 90. Esse vídeo, por exemplo, tem o Vitor, dono da Blue Space, falando da sua turma de amigos que, ao fim, só sobraram dois. Um relato pessoal que tem relevância para além dos personagens envolvidos; outro sobre os preconceitos que homens negros sofrem nos APP's; Como era ser gay nos anos 90; depoimentos reais de pessoas que foram submetidas à cura gay; e, só para concluir, um vídeo delicadissimo sobre como é ser gay na velhice. Como menos preconceito, pensando no público amplo que o canal pretende agir, acho impossível não se perceber que existe sim esse esforço, mas quem só foca nos closes errados, sempre focará apenas neles.

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  8. Ferver em banho-maria? como isso é possível?

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    1. Hahaha, não é. Eu não entendo nada de cozinha.

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