domingo, 26 de novembro de 2017

MEU MIX DO MIX

Quem dá conta de tanto filme? Emendei o Festival do Rio com a Mostra de São Paulo com o Mix Brasil, e tudo isto sem parar de seguir a programação normal dos cinemas. O resultado é que vi muita coisa, claro, mas não tudo o que eu queria. No Mix, que acaba hoje, perdi o sul-africano "Os Iniciados", por falta de tempo, e o britânico "God's Own Country", por falta de informação - fiquei sabendo tarde demais que é incrível. Mesmo assim, participei mais do que em outros anos. Além de rever "Me Chame pelo Meu Nome" e fazer uma pergunta boba para Gus Van Sant, também pus no currículo...

..."Conversa Fiada", o escolhido por Taiwan para a próxima disputa do Oscar de filme em língua estrangeira. Ainda é um mistério porque selecionaram este documentário chatinho sobre uma lésbica de meia-idade (que também é a mãe da diretora). Inclusive porque ele não teve uma única indicação ao Cavalo de Ouro, o Oscar taiwanês (sim, ele existe, e sim, só o Brasil não tem um prêmio de cinema com um nome bacana). Os planos são longos, a música é inexistente e a tal da senhora nem é tão interessante assim. Porque ela pouco fala: sempre preferiu interagir com as amigas, algo de que a filha se ressente até hoje. E nós com isto, hein?

"Hot to Talk to Girls at Parties" é bem mais divertido, embora sem a profundidade dos outros trabalhos do diretor John Cameron Mitchell. Tudo bem: faz espairecer de vez em quando, e o pedigree da trama é uma graphic novel de Neil Gaiman. Na Londres de 1977, um bando de amigos em busca de fuzarca acaba topando com duas coisas bizarras: a) Nicole Kidman como uma rainha punk; e b) uma colônia de alienígenas. Ou melhor, seis colônias, cada uma com um dress code diferente, mas todas aparentemente vestidas por lojas da 25 de Março. Talvez seja uma metáfora para a passagem da adolescência para a idade adulta, talvez seja só uma brincadeira boba. Para ver, rir e esquecer.


"Guigo Offline" foi eleito pelo júri como o melhor longa nacional. "Longa" é força de expressão: trata-se de um telefilme de apenas 52 minutos. "Melhor" também talvez seja. Não vi nenhum dos outros, mas se são inferiores... Não que "Guigo" seja ruim. A premissa é ótima: um moleque pentelho, interessado apenas em continuar pendurado no Whatasapp, vai acampar com um amiguinho, o pai e um amiguinho deste. Logo sabemos que este amigo é, na verdade, o namorado... Mas os diálogos soam pouco naturais nas bocas das crianças, e a tensão da revelação é sobrepujada pela busca pelo sinal de celular. Enfim, simpatiquinho. Mas, no ano que vem, vou escolher meu mix com mais cuidado.

2 comentários:

  1. Achei God's Own Country muito bom, apesar das semelhanças com Brokeback Mountain em alguns momentos.
    Você chegou a assistir o japonês Close Knit? Achei o filme de uma sensibilidade incrível. Uma quase família de margarina, mas com uma mulher trans.

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