quarta-feira, 8 de novembro de 2017

FIZEMOS A ÚLTIMA VIAGEM


"Gabriel e a Montanha" é uma beleza de filme. Mesmo sabendo que ele ganhou prêmios em Cannes, mesmo tendo lido críticas positivas, eu não esperava gostar tanto. Porque eu já sabia o final da história, que é real: em 2009, no fim de uma viagem de quase um ano que o levou para a Ásia e a África, o carioca Gabriel Buchmann se perdeu ao descer sozinho uma montanha no Malawi e acabou morrendo de frio (era julho, inverno tanto lá como cá). Cadê o arco dramático? Cadê a "mensagem"? Pois o longa de Fellipe Barbosa - que era amigo do verdadeiro Gabriel - tem tudo isso. Também tem paisagens belíssimas que servem quase como um documentário: o monte Kilimanjaro, a ilha de Zanzibar, as cataratas de Victoria. Acho que se trata do único filme brasileiro sem um único frame rodado no Brasil. João Pedro Zappa está incrível no papel-título, apesar de aparentar menos que os 28 anos que de fato tem (a mesma idade de seu personagem). Com humor e desenvoltura, ele cria um sujeito de uma simpatia irresistível, mas também cheio de teimosia e pretensão. Gabriel se recusava a fazer qualquer coisa que cheire a turista: preferia dormir na casa dos guias que contrata nas ruas, comer a comida deles e se sentir o mais local possível - o que não ia ser nunca, é claro. Essa cabeça dura acabou lhe custando a vida, ao enfrentar uma escalada árdua sem os equipamentos ou o tempo necessários. Sua jornada, que poderia ser uma viagem iniciática, teve um final abrupto. Mas rendeu um filme.

4 comentários:

  1. Não vou ver porque ele morre no final. Eu me apego muito fácil.

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  2. Tony, me parece um pouco a história do Christopher McCandless no filme A Natureza Selvagem, em que ele morreu de inanição no Alasca porque achava que poderia sobreviver sozinho por lá.Foi um misto de desprendimento e ingenuidade com uma pretensa auto-suficiência arrogante. O ônibus abandonado em que ele morreu estava a poucos quilômetros de uma estrada. Estou curioso para assistir este filme.
    Vai comentar sobre o William Waack e esta onda de fritura em massa?

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    Respostas
    1. Sim, a história de Gabriel Buchmann é parecidíssima com a de McCandless. Ia comentar no post, mas acabou ficando longo demais.

      Já comentei o caso do William Waack na minha mais recente coluna no F5: https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/tonygoes/2017/11/suspensao-de-william-waack-comprova-imediatismo-da-internet.shtml

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  3. Ela era namorado de uma conhecida no Instituto de Economia. Morte muito, muito besta. O cara era brilhante.

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