domingo, 12 de novembro de 2017

APOLO E DIONÍSIO JOGANDO TÊNIS


A única partida de tênis profissional que eu vi na vida foi um jogo-exibição entre Björn Borg e Vitas Geuralitis, no Ginásio de Ibirapuera, em 1980. Achei um saco, óbvio, mas pelo menos tenho Borg no meu currículo. O cara ainda é uma lenda em sua Suécia natal: tanto que a produção local sobre sua rivalidade com o americano John McEnroe chama-se apenas "Borg" nos países escandinavos. É verdade que "Borg vs McEnroe", como o filme foi rebatizado no Brasil, pende mesmo para o viking das quadras. Sua família e seu entorno ganham mais destaque do que os do adversário, assim como o desfecho. Até aí, tudo bem. O que foi mais difícil de engolir foi a ênfase no esporte, um assunto que não está na minha lista dos 100 mais. Eu me diverti à pampa em longas como "Rush" (sobre o duelo entre Nikki Lauda e  James Hunt na Fórmula 1) ou o recentíssimo "Batalha dos Sexos", porque as abordagens eram mais amplas do que a mera disputa. Aqui ficou faltando, talvez, uma análise mais profunda desses dois jogadores tão diferentes. O gélido sueco (apelidado de "Iceborg" pela imprensa) era a encarnação do apolíneo: focado, esguio, controlado, estóico. Já o "bad boy" era dionisíaco em estado puro: bagunçado, impertinente, autoindulgente, hedonista. Talvez o roteiro devesse ter sido escrito por alguém que não manjasse de tênis?

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