terça-feira, 10 de outubro de 2017

COLÔNIA DO SACO CHEIO


Lucrécia Martel não é para todo mundo. O estilo hermético da diretora argentina faz com que seja até surpreendente a escolha de "Zama" para representar seu país no próximo Oscar. O longa é uma co-produção com o Brasil e tem vários atores nossos no elenco, inclusive o sempre incrível Mateus Nachtergaele. O roteiro fala da obsessão de um oficial da Coroa espanhola baseado no que hoje é o Paraguai em capturar um malfeitor enquanto espera sua transferência de volta para a Europa, em pleno século 17. Mas está longe de ser um thriller: é um filme-cabeça de época, com animais invadindo o quadro sem mais nem menos (a cena da lhama é sensacional) e muita encucação, temperada com violência aqui e ali. A sessão em que eu o assisti no Festival do Rio terminou com algumas vaias e gritos de "vergonha!", mesmo na presença da diretora e da equipe. Talvez porque Zama mostra os escravos negros sendo maltratados? Não entendi. De qualquer forma, é um filme lindo e árido, que só vai agradar aos fãs de Martel.

6 comentários:

  1. Vaiaram e gritaram vergonha porque acharam o filme ruim mesmo...

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  2. Sendo uma co-produção brasileira, ele não pode representar o Brasil também?

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    1. Tecnicamente poderia, mesmo sendo falado quase todo em espanhol.

      Mas o filme é dirigido por uma argentina, baseado num romance argentino e voltado, antes de mais nada, para o público argentino. Dificilmente seria escolhido por nós para o Oscar, ainda mais porque a concorrência seria ferrenha, com filmes 100% brasileiros.

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  3. Para o publico argentino??????

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    1. Qual o espanto? Um episódio da história argentina, falado em espanhol, rodado na Argentina, com equipe majoritariamente argentino.

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  4. 13:25 Alguma coisa como "Se queres ser universal cante sua aldeia"...

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