sexta-feira, 4 de agosto de 2017

SENTE O DRAMA


De quantas séries dramáticas o cerumano consegue dar conta ao mesmo tempo? No momento eu acompanho três, e não sei dizer qual é a minha preferida. Só a mais badalada: "Ozark", lançada pela Netflix há duas semanas e já saudada como a sucessora de "Breaking Bad". A diferença é que o protagonista Marty Byrde já é corrupto desde o piloto. Jason Bateman, que eu só conhecia de comédias, está ótimo no papel, além de dirigir alguns episódios. De Laura Linney, nem preciso falar nada além de que continua fantástica. Mas para mim a grande revelação é Julia Garner, que faz uma garota white trash que já é um gênio do crime aos 17 anos. Aliás, crime é o que não falta na idílica represa no estado de Missouri onde se desenrola a ação: tem talvez um pouco de bandido demais, mas caso contrário não haveria série. Exageros à parte, "Ozark" é mesmo de prender a respiração.

Também muito tensa, mas em chave mais cerebral, é a minissérie argentina "Jardim de Bronze", que está sendo exibida pela HBO. Faltam apenas dois capítulos para a revelação do que aconteceu com Moira, a menininha sequestrada aos 4 anos de idade e por quem seu pai ainda procura dez anos depois. Algumas mortes são ridiculamente violentas, compensadas pela beleza esguia do ator Joaquín Furriel - não estivessem seus olhos eternamente inquietos. Buenos Aires aparece como um cenário triste e sórdido, e o único personagem com algum senso de humor não sobrevive muito tempo. A melancolia portenha combina com o gênero policial.

As únicas armas presentes em "Quando Fazemos História" são os cassetetes dos homofóbicos e os punhos erguidos dos gays e lésbicas que deram impulso ao movimento LGBT, em São Francisco. A época - a virada da década de 70 para a de 80 - também coincide com o aparecimento da AIDS, o que tornou a luta pelos direitos igualitários ainda mais difícil. O roteiro de Dustin Lance Black se concentra em três figuras principais - um rapaz branco que foge de casa, uma sapatinha politizada e um negro que foi da Marinha - enquanto que estrelas como Whoopi Goldberg ou Rosie O'Donnell surgem em pequenas participações. O engajado diretor Gus Van Sant faz aqui quase que uma continuação do premiado "Milk", contextualizando e ampliando a saga contada naquele filme. Uma minissérie obrigatória para qualquer biba que se preze - especialmente as que acham que as nossas conquistas atuais se devem ao Johnny Hooker.

22 comentários:

  1. O Mio Babbino Caro
    Ae Tony, vendo o espectro multiétnica dessas séries, você não acha que o aleijão do Brasil, não é uma perseguição nórdica, que nunca vai ser alcançada, deixando de lado sua população real.

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    1. Acho. Por isto que "3%", a série brasileira da Netflix, se destaca: quase metade do elenco é negra.

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  2. Achei Ozark bem meia boca, mirou em breaking bad e acabou sendo um filhote sem carisma, sem novidade, forçado, ritmo arrastado, uma sessão da tarde do crime, achei bem fake, parece e deve ser daqueles roteiros encomendados pois o segmento cidadão mais ou menos normal e honesto resolve virar criminoso espertão. Pra quem consome séries de crimes e violência, essa aí chega a ser meio cretina de tão pretensiosa.

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  3. Aha... pretensioso comentário.

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    1. Ficou magoado? Tá sensível? Tadico.

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  4. Que maldade com o Johnny Hooker. ! To achando que é amor reprimido.

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  5. Deixem as novas gerações com seus dilemas e objetivos lutarem por um mundo mais igualitário pros lgbt. Me parece mais inveja dos novos por estarem falando o q pensam sem medo de represarias. Johnny hooker, Pablo vittar, Liniker e outros são representativos pra sua geração. Ja ta feio essas cutucadas sem necessidade, pois todos sabem q no passado houve luta, mas precisa sim continuar. Fica parecendo q vcs querem calar a voz desse pessoal q ta dando a cara pra bater nesse pais ond o retrocesso ta batendo a porta. Fica a dica . ok

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    1. As novas gerações podem lutar pelo que quiserem e dizer o que quiserem.

      Mas, toda vez que falarem besteira e ignorarem a luta de quem veio antes, vão ter que ouvir.

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    2. Onde que a fala de Johnny Hooker ignora tudo que veio antes dele? Entendi o que Ney falou assim como o que JH falou. E vc também entendeu Tony.

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    3. "Fica parecendo q vcs querem calar a voz desse pessoal q ta dando a cara pra bater nesse pais ond o retrocesso ta batendo a porta". Chega rir sabe. Anônimo das 18: 43, imagina então militar nos anos 70, 80, 90 e até pouco tempo, dos anos 2000 até meados da década onde os LGBT se tornaram mais tolerados no país. A vocês que se acham os tais, pensam que tudo começou com vocês, que o movimento gay começou quando vocês saíram por aí na rua dando pinta, falta senso histórico e sobra ignorância. Antes do Liniker, do Pablo, e do Hooker, veio um pessoal que foi fundamental para que hoje esses três possam estar aí livres, leves e soltos, cantando expressando suas sexualidades. Você me lembra um desses petistas que abre a boca e diz que gays devem tudo ao PT, ahã, é mesmo? Mas daí quando você rebate o argumento do energúmeno petistas afirmando que gays nada devem ao PT, narrando a história de grupos gays no Brasil que foram fundamentais para a conquista dos direitos atuais, os petistas derrapam no grito, como todo e qualquer imbecil sem nenhum argumento. A essa nova geração de gays sobra petulância, falta sensibilidade, e predomina a vontade a parecer soba bandeira da causa lgbt.

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    4. 08:15 O que tem a ver. "Você me lembra um desses petistas que abre a boca e diz que gays devem tudo ao PT, ahã, é mesmo?" Não força, esqueça pt.

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  6. O mio babbino caro
    Permita-me
    E o Melodia hein? Tantas bichas e lésbicas se encaixaram naqueles seus versos quebrados. Ruddy, citando, Salve linda canção sem esperança:"Eu comunico não peço" e ZEzé, no coração do Brasil. O Brasil mais pobre um pouco. E o Jacobina com seu violino torto na fila dos malditos. Que Johnny Hooker que nada rs

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  7. Tony, aproveitando o frisson em torno do Neymar, já reparou que ele (e a grande maioria dos jogadores) só pega, namora e casa com mulheres brancas?
    Isso diz muito sobre o que o próprio negro pensa de si mesmo? (Lembrando que Neymar se acha branco).

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    1. Que tipo de doença mental é essa que supõe poder regular quem excita, ou não, o Neymar? É de cair o cu da bunda.

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    2. 12:17 Vá ler um pouco de sociologia e política, depois você volta aqui no balcão criança.

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    3. Deixa eu adivinhar: a "sociologia e política" da turba que construiu a sua ideologia? Passamos todos!

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    4. 07:29 Minha ideologia????? Kkkkkkkkk "Quero uma pra viver"

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  8. Oi, Tony.

    Depois que nasceram as minhas filhas, simplesmente não consigo mais assistir nenhuma série. Primeiro pelo monopólio televisivo e depois pelo sono mesmo.
    Suas indicações de filmes são o máximo que eu posso me aproximar da sociedade contemporânea! Sempre indico Capital Humano para os amigos com ares de cinéfilo que adora filmes italianos !
    Obviamente não vou assistir Ozark se nem Breaking Bad e GOT eu consegui assistir muito. Tem um filme sensacional (sim, já tive uma vida!) da Jennifer Lawrence chamado Winter´s Bone,não sei se você assistiu, aqui como Inverno da Alma que se passa nos Ozarks, uma região filha da puta, que apesar de muito bonita e considerada muito pobre para os padrões gringos. É sofre o desaparecimento do pai fabricante de meta anfetamina dela, que precisa comparecer à reunião da condicional senão a família vai perder a fazenda miserenta deles. A quantidade de losers e vilões white trash é estupenda, e a Jennifer, de quem um nunca fui lá grande fã, está sensacional.
    Abraços !!


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    1. Eu vi "Inverno da Alma" em 2011, quando passou no cinema, e não caí de amores.

      Fiz um post sobre o filme:
      http://www.tonygoes.com.br/2011/01/lixo-nao-extraordinario_28.html

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  9. Legal, acabei de ler a sua crítica. Acho que gostei bem mais que você!

    P.S. - Minha mulher adora, ama, a propaganda da TIM e eu mandei o link pra ela. Vou continuar mantendo a meu pequeno verniz culto/descolado às custas das sua indicações, sem citar a fonte obviamente !!!

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    1. Pode citar!! A não ser que você não queira...

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  10. To brincando, claro que cito.
    Você e o André Barcinski são os caras que eu mais me identifico com os posts e que tento seguir as dicas.
    Obrigado !!



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