domingo, 20 de agosto de 2017

O BAGUNCEIRO ALOPRADO

Jerry Lewis foi, para a minha geração, o que os Trapalhões ou o Chaves foram para as gerações seguintes: o palhaço que fazia as crianças rirem, mas que a crítica execrava. Durante um bom tempo, Lewis só era respeitado como artista na França, o que acabou virando uma piada em si mesma. Mas já faz algumas décadas que ele é venerado como o gênio que de fato foi. Eu adorava seus filmes até descobrir Woody Allen, quando tinha uns 13 anos: aí Lewis realmente virou coisa do passado. Só voltei a gostar dele no magnífico "O Rei da Comédia", dirigido por Martin Scorsese em 1983. Na vida real, Jerry Lewis era um santo e um escroto. Foi ele quem inventou o formato "teleton", aquelas maratonas de caridade que se espalharam por todas as TVs do mundo. Mas também nunca se furtou a dizer qualquer besteira que lhe passasse pela cabeça, fosse machista ou homofóbica. Se bem que o castigo já veio: no telefilme "Martin e Lewis", que contava sua rixa de anos com o ex-parceiro Dean Martin, seu papel foi feito por  ninguém menos que Sean Hayes, o Jack de "Will & Grace".

Confira a mítica entrevista que ele deu em 2016, um esplendor de mau humor.

9 comentários:

  1. ‪Teve um filme (acho que da HBO) sobre o Rat Pack e rolava todo um bullying contra o Dean Martin por causa do bromance com o Jerry Lewis. ‬O final que a gente já sabe é que o Dean Martin preferiu o RP.

    ResponderExcluir
  2. Ô fase horrorosa. Jerry Lewis, machista e homofóbico. Outro dia li algo semelhante sobre Sílvio Santos.

    Nosso tempo será motivo de muitas piadas no futuro. Ou não, mas, neste caso, não haverá futuro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, Jerry Lewis era machista e homofóbico. Sílvio Santos também é.

      Excluir
  3. Nojo tenho do Renato Aragão que de rei da comédia nacional virou um idoso ridículo que se acha superior.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas qual comediante olhando o passado e vendo uma obra como a dele não se sentiria ridículo.

      Excluir
  4. Tony está num processo kafkiano de transformação. Já reconheço nele o marxista asmático do conto "Primeiro de Maio", de Nelson Rodrigues.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vê Esquerda x Direita em tudo bee?

      Excluir
  5. O mio babbino caro
    Há pessoas que morrem antes de morrer...

    ResponderExcluir
  6. e qual foi a treta mesmo entre ele e dean martin? adianta aí, boy

    ResponderExcluir