quarta-feira, 16 de agosto de 2017

MUITO COMÉDIA


Escrever a coluna "Multitela" da Folha me fez ver mais TV - como se eu visse pouca antes. Tenho descoberto muitas séries novas, e algumas realmente valem a pena. Como as três sitcoms de que eu falo neste post, já citadas por mim no jornal e todas  protagonizadas por mulheres complicadas. A que mais se aproxima do modelo tradicional, com "one-liners" e piadinhas em todas as cenas, é "Catastrophe", uma parceria entre a irlandesa Sharon Horgan e o americano Rob Delaney criada para o Channel Four e, por aqui, disponível no canal do GNT na plataforma NOW. Os roteiristas também fazem os personagens principais, que se conhecem num bar de Londres, passam uma semana transando e depois vão cada um para seu canto (o dele é em Boston, do outro lado do oceano). Até que ela descobre que está grávida, e ele volta. São três temporadas de apenas seis episódios cada, uma peculiaridade britânica. Por enquanto só vi a primeira, que é um primor. Especialmente o quarto episódio, em que eles suspeitam que o bebê que vem aí pode ter síndrome de Down. Um tema delicadíssimo, que mesmo assim rende risadas e um desenlace magistral. E ainda tem Carrie Fisher fazendo a mãe dele.

Bem mais amarga é "I Love Dick", que tem um ritmo mais solto e cenas que de cômicas não têm nada. É o estilo de Jill Soloway, que fez a badalada "Transparent" também para a Amazon. Aqui a mocinha é uma chata de galochas: uma cineasta fracassada que se muda com o marido para uma cidadezinha do interior do Texas, e fica com a periquita acesa por causa de um escultor local. Ela começa a escrever cartas secretas para seu novo amor, o marido descobre, o cara também descobre, confusão e gargalhadas. Ou não: o tom seco e impiedoso não tem nada a ver com o clima de camaradagem que ainda impera mesmo em séries mais moderninhas, tipo "Girls".

"Better Things" e eu ainda estamos nos conhecendo. Só vi o primeiro episódio, apesar da Fox Premium ter jurado que a primeira temporada completa estaria disponível para seus assinantes (e eu publiquei essa potoca na coluna). Pamela Adlon, discípula de Louis C. K., desenvolveu com seu mestre a história semiautobiográfica de uma atriz que cria sozinha três filhas adolescentes. São todas umas pentelhas, cada uma à sua maneira. Por enquanto, não vi "plot": só o popular "slice of life", sequências soltas que servem para apresentar os personagens. Pamela está indicada ao Emmy, e seu jeito de fazer comédia causa uma certa estranheza no princípio. Mas as críticas são tão boas que eu vou insistir. 

4 comentários:

  1. Não sabia Catastrophe estava disponivel no Now, obrigado pela dica Tony. Assisti a primeira temporada também e adorei, mas como sempre bateu aquela preguiça de ir atrás dos episódios das temporadas seguintes.

    Você já assistiu Review?
    http://www.imdb.com/title/tt2141913/?ref_=nv_sr_1

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  2. Better things não diz a que veio, vi toda e não entendi porque ela existe, mas acaba sendo um serie diferente da grande maioria das séries americanas que são uma baboseira de doer.

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  3. Ursinho lindo o Rob Delaney...

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  4. Better Things não tem necessariamente um plot e acho que por isso é tão interessante. A gente só acompanha da Pamela e suas filhas de forma leve e nada pedante. Fora as discussões pontuais e interessantíssimas sobre transgênero com uma das personagens. Que a Fox Premium coloque o restante dos episódios no Fox Play pra você acompanhar.

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