segunda-feira, 19 de junho de 2017

TEAM RODIN X TEAM CAMILLE


Camille Claudel virou figurinha fácil no cinema. Ganhou seu próprio filme em 1989, com uma interpretação que rendeu a Isabelle Adjani sua segunda indicação ao Oscar. Reapareceu em 2013 com Juliette Binoche, no sombrio "Camille Claudel 1915". E agora vira coadjuvante em "Rodin", onde seu famoso amante é o protagonista. Mas não é mais uma personagem trágica, que enlouquece por ser rejeitada: aqui ela só é uma mocinha bonitinha e esforçada, sem nenhum glamour, que se torna uma chata a incomodar o talento de um gênio. Este é um dos defeitos de "Rodin", que está passando no Festival Varilux mas só entra em cartaz em novembro: o escultor é mostrado como um grande artista que tem o direito de comer as mulheres que quiser, pois o que importa mesmo é sua obra. É uma visão masculina, para não dizer machista, contrária ao mimimi a que nos habituamos sempre que Camille Claudel é mencionada. Além disso, o longa do veterano diretor Jacques Doillon é bem austero, com planos longos e pouca música, sem que nada de muito transcendental aconteça. Achei meio chato, e continuo sendo Team Camille.

3 comentários:

  1. Infelizmente perdi a chance de assistir o filme no festival varillux, estava louco pra assistir, agora é esperar sair pra baixar ou estrear. Eu sou Team Rodin.

    http://cumorcum.blogspot.com.br/

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  2. O mio babbino caro
    Tony, Estaria Camille para Rodin, assim como Frida para Rivera?????

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  3. Soube uma história de Rodin, que mostra bem como era o moço. Um miliardário herdeiro americano, residente na Inglaterra, muito gay e grande colecionador de arte resolveu encomendar a Rodin uma cópia de seu grande best-seller 'O Pensador'. Mas com uma condição: que aumentasse bastante o tamanho do peru do moço, para proporções épicas. Rodin não teve dúvidas, ampliou a forma a contento e embolsou uma boa nota.
    Antes de morrer, o americano doou suas coleções a vários museus, mas nenhum quis receber o bem dotado, ficando o coitado em um depósito. Só em tempos recentes a Tate Modern da Milleniun Bridge aceitou recebê-lo.

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