sexta-feira, 30 de junho de 2017

NA CARREIRA DAS DIVINAS


A primeira geração de travestis artistas do Brasil ganhou um documento histórico à altura, e quase que não deu tempo. Uma das oito divas retratadas em "Divinas Divas", Marquesa (que ilustra o pôster ao lado), morreu antes que o filme fosse lançado. Mas sua trajetória não será esquecida, muito graças a este documentário dirigido por Leandra Leal. A atriz vem de uma família que mantém há décadas um teatro no centro do Rio, o Rival, e foi na coxia de lá que ela passou boa parte da infância. Leandra assume esse vínculo afetivo com as transformistas, mas sua locução em off jamais é invasiva (ela nunca aparece na tela), nem o filme se torna sobre ela mesma em momento algum. O foco são as deusas, que se revezam contando suas histórias para a câmera e aparecem em números musicais, individuais ou coletivos. Há muito em comum entre elas: além do desejo de serem mulheres, todas são atrizes. O ímpeto de brilhar em cena é até mais forte do que o de se montar. Divina Valéria, minha favorita - talvez por ser a mais sofisticada e a menos caricata da trupe - diz uma frase logo no começo que me serviu como uma chave: "era teatro o que me faltava". E assim todas encarnam personagens de si mesmas, em cena ou fora dela, num ato de liberdade e coragem que merece todos os aplausos. Mas também me chamou a atenção como todas são distintas entre si. Jane Di Castro está casada há 50 anos com o mesmo homem; Camille K descolou um boy magia na velhice; Eloína enriqueceu como empresária do mítico show dos Leopardos (eu fui!), e assim por diante. É maravilhoso vê-las sem maquiagem, como as senhoras comuns que também são, e empolgante perceber que todas acontecem mesmo quando estão diante de uma plateia. "Divinas Divas" tem alguns defeitos técnicos: Leandra prefere perder o foco da imagem do que o momento de sua entrevistada. Mas é justamente isto que faz com que o filme seja tão humano, tão visceral, tão emocionante. Corra para ver, e desperte a diva que existe em você.

6 comentários:

  1. Post divo. Divino. Lindo.

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  2. Vi duas vezes,desde o mix brasil. Tocante,bem dirigido,emocionante, tb um belo documentário sobre as etapas da vida até a velhice.

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  3. Deos me acuda ver filme dessa comunista insolente.

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    1. O José de Abreu é um petista energúmeno, mas é um excelente ator. A Letícia Sabatella é uma vaca, mas é linda, boa atriz e até canta simpático.
      Não tem nada a ver o cu c'as calças.

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  4. Prefiro Rogéria, que bate na cara das militontas e pisa de salto agulha.

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  5. Vi um show delas no Rio, mas a Rogeria participava!! Rogeria é a mais famosa fora do meio, mas as outras tinham o mesmo talento, charme e graca....

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