sexta-feira, 9 de junho de 2017

MULHERES SÁBIAS


"Sage-femme" quer dizer "parteira" em francês. Sem o hífen no meio, quer dizer "mulher sábia". Este também é o título original de "O Reencontro", cuja protagonista é justamente uma parteira (ou obstetriz, nas legendas brasileiras). Mas de sábia, a princípio, ela tem pouco: é uma mulher solitária e meio amarga, que só se realiza nos exaustivos plantões na maternidade. É o retorno repentino da segunda esposa de seu pai que a fará sair dos eixos e, por fim, adquirir sabedoria. As duas nunca se bicaram, e não se veem há mais de 20 anos. E claro que o contraste ente ambas é enorme: a madrasta é fútil, vaidosa e hedonista. Fuma e bebe sem parar, e só sabe ganhar dinheiro se for numa mesa de pôquer. Só que agora... Mais não vou contar, para não estragar o prazer desta versão moderna de "A Cigarra e a Formiga". Catherine Frot, talvez a mais conceituada atriz francesa do momento, está muito bem como a protagonista. E se deixa roubar por sua xará Catherine Deneuve, esplêndida aos 73 anos. "O Reencontro" - que está passando no festival Varilux e entra em cartaz no final de julho - não deixa de ser mais uma variação do clichê da pessoa apagada que redescobre o prazer da vida graças a uma visita inconveniente. Mas é um filme redondinho, que cumpre o que promete.

Um comentário:

  1. A Deneuve foi dos mais belos rostos do cinema e fez bons filmes. Mas a Frot é uma atriz cativante. Por acaso assisti na TV o filme 'Chaos', onde ela é uma burguesa voltando de festa com o marido, ele atropela uma moça e se manda. No dia seguinte ela vai ao hospital para saber da moça e descobre ser ela prostituta argelina, vendida pelo pai a terríveis mafiosos árabes. Aí a Frot, com aquela cara doce, grita 'shazam' e resolve consertar o mundo, enfrenta bandidos, dispensa marido mulherengo e filho playboy. Fiquei fã.

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