quinta-feira, 1 de junho de 2017

AMOR EM FOGO BAIXO


É inacreditável pensar que, quando eu nasci, alguns estados americanos ainda proibiam os casamentos interraciais. Um deles era a Virginia, bem ao lado da capital Washington. Quem descumprisse a lei tinha que se mudar, ou então ir para a cadeia. Até que um casal com o sobrenome mais emblemático possível - Loving - resolveu peitar o sistema. Essa é a história de "Uma História de Amor", o título bobinho que "Loving" recebeu ao chegar no Now. O filme concorreu em Cannes no ano passado e rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz para Ruth Negga, mas, por alguma razão misteriosa, não estreou nos cinemas brasileiros. Assisti-lo em casa é um risco, ainda mais se for tarde da noite. Porque os protagonistas são quase passivos e o diretor Jeff Nichols toca a trama em banho-maria, sem nenhuma cena com muitos decibéis. Peguei no soninho algumas vezes e terei que rever algumas partes. De qualquer forma, "Loving" serve como um lembrete de que éramos capazes de absurdos como separar raças até pouco tempo atrás.

10 comentários:

  1. Só por curiosidade, Tone, na sua família como um todo, há miscigenação com negro atualmente?

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    1. Não. Mas eu adoraria fazer um exame de DNA para descobrir minhas origens exatas. Fala-se na família que temos sangue português, holandês, africano e índio.

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    2. Por acaso você é brasileiro Tony?Rs

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    3. Engraçado, me lembro de um post seu sobre o casamento de um sobrinho na Suiça, e se não me engano a noiva era negra. Tô enganado?

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    4. Claro, é verdade! Aloka. É que eu convivo pouco com eles. A última vez que os vi foi há dois anos, no dia do casamento. Já tenho até um sobrinho mulato, o Louis, uma graça (só conheço por foto).

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  2. Um absurdo tudo isso. Ainda hoje há uma tendência (cada vez mais forte) à classificação por raças. Não considero, particularmente, nomenclaturas algo importante, contudo, neste caso, ela é bastante reveladora de como tendemos a nos dividir mais e mais. Não existem raças humanas. O paradoxo é que lutamos por mais igualdades na sociedade contemporânea ressaltando a pretensa "singularidade" de determinados grupos.

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    1. Pois é, mas racismo existe. Negar que ele exista torna inviável a adoção de políticas públicas inclusivas. Eu tenho ascendência indígena, negra e portuguesa. Mas tenho cara de branco e sou visto pelos outros como branco. Raça é construção social; não é o que você acha de si, mas o que os outros acham de você. Então dizer "ai somos todos miscigenados; somos seres humanos" atrapalha. Não ajuda o cara preto a conseguir um emprego. Ponto.

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    2. "(...) Raça é construção social; não é o que você acha de si, mas o que os outros acham de você. Então dizer "ai somos todos miscigenados; somos seres humanos" atrapalha. Não ajuda o cara preto a conseguir um emprego. Ponto."

      Brocou, João!!!

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  3. A Ruth foi indicada ao Oscar porque a Academia gosta de indicar atrizes que nunca foram indicadas quando se tem a oportunidade de indica-las. E ainda mais se forem jovens, como é o caso da Ruth.

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  4. Tony ...esqueci o link maravilha!
    http://g1.globo.com/pa/para/noticia/prostitutas-de-belem-organizam-corrida-de-calcinha-contra-o-preconceito.ghtml
    É isso. E é lindo!

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