segunda-feira, 10 de abril de 2017

SERTANEJENTINOS


O diretor espanhol Carlos Saura inventou uma maneira toda própria de realizar documentários musicais. Há mais de vinte anos ele vem aplicando esta mesma fórmula para cobrir todos os ritmos de matriz ibérica: números gravados em estúdio, cenários despojados, projeções em vídeo, jogos de sombras. E nenhuma entrevista ou locução em off. O resultado costuma ser lindo: "Sevilhanas" foi um impacto, "Tangos" chegou a ser indicado ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira e "Fados" incluiu até artistas brasileiros e africanos cantando a melancolia portuguesa e seus descendentes. Agora Saura retorna com "Zonda", que no Brasil ganhou o título óbvio de "Argentina". O foco agora está além de Buenos Aires: a música do interior do país vizinho, que não tem nada a ver com a milonga portenha. Ou seja, o sertanejo de lá. Que, como o daqui, às vezes é horrível, às vezes é sublime. O único nome que os brasileiros conhecem desse folclore todo é a finada Mercedes Sosa, e talvez um pouco de Atahualpa Yupanqui. Eu, pelo menos, não sabia quem eram aqueles artistas todos, apesar de já ter uma noção do que são chamamé e carnavalito. Por isto mesmo senti falta de nomes mais famosos em cena, ou talvez um pouco de fusão de estilos. Será que o orçamento não deu? Enfim, "Argentina" só é recomendado para quem for muito interessado, mas muito mesmo, nos nossos hermanos do sul. É, seu sei. Somos poucos.

4 comentários:

  1. fui ver mercedes com meu pai, aqui em SP. ela, muito acima do peso e visivelmente doente, cantou sentada. em sua ultima música, num esforço sobre-humano, se agarrou no braço da poltrona e terminou a última música em pé. eu fiquei estupefato, aplaudindo como todos, pela música, pelo voz, pelo esforço e pelo privilégio de assisti-la, no que seria sua última turnê.

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  2. O mio babbino caro
    Gratidão por um post deste. Quão maravilhado, ouvia Atahualpa Yupanqui, quando se acreditava que chegaria o momento
    Do homem ser parceiro do homem. El Alazán... Mi caballo.

    Não seria, El Amor Brujo (Manuel de Falla) a suprema obra de Saura.

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  3. Sou um deles com muita honra e adoro folklore argentino. Vou assistir feliz da vida. Obrigado.

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  4. Atualmente ando por fora de tudo, mas adoro a Argentina e já fui muito interessada pelo folklore de lá, assistia muitos programas do gênero no canal argentino. Preciso ver esse filme. Talvez apareçam artistas que conheço e costumava escutar.

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