quarta-feira, 26 de abril de 2017

MON MALI À MOI


O Mali é um paupérrimo país africano, sem saída para o mar e ocupado em grande parte pelo deserto do Saara. Mas também é um caldeirão cultural, onde se cruzam influências árabes, tuaregues e de dezenas de etnias negras. Desde a década de 1970, a música que vem de lá ganhou o mundo, dando alguma fama a nomes como Salif Keita e a dupla cega Amadou & Mariam. Tanta riqueza atraiu o músico francês M (nome artístico de Mathieu Chedid, que escolheu esse pseudônimo impossível de se pesquisar no Google antes da era da internet). Mais conhecido pela trilha do desenho animado "As Bicicletas de Belleville", pela qual foi indicado ao Oscar, M traduziu suas muitas viagens ao Mali num disco que reúne estrelas locais e de outros lugares. "Lamomali" (corruptela de "l'âme au Mali", a alma do Mali) já é um dos melhores lançamentos do ano, e uma ponte segura para quem quer passar do pop ocidental à música africana de raiz. Ah, sim, também é apropriação cultural, no melhor sentido do termo. Chedid - que tem ascendência egípcia, mas só canta em francês - mistura sua sensibilidade de branco que vive na Europa com instrumentos magníficos como a kora e uma infinidade de ritmos, e o resultado é espetacular. Até o brasileiro Seu Jorge entrou nessa mistureba boa.

3 comentários:

  1. O mio babbino caro
    Apropriação cultural já era. O negócio agora é apropriação material, pelo menos foi isso que aconteceu com jovem em festa de formatura.
    http://www.revistaforum.com.br/2017/04/24/jovem-e-vitima-de-racismo-e-tem-o-turbante-arrancado-em-festa-de-formatura/

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    1. Pobre Tony, basta exercer seu universo de interesses para amargar a solidão dos comentaristas, que só querem mais do mesmo, reparem.

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  2. Quem tem o olhar mais blasè: Seu Jorge ou Wagner Moura?

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