domingo, 30 de abril de 2017

MÃE SÓ TINHA UMA

Imagine que sua mãe tivesse se matado quando você tinha três meses de idade. Isto é um trauma para o resto da vida? Ou nem tanto, já que você, na prática, nem chegou a conhecê-la? Essa dor peculiar é explorada por Matheus Nachtergaele em seu monólogo "Processo de Conscerto do Desejo" (assim mesmo, com s e c ao mesmo tempo), que encerra hoje mais uma temporada em São Paulo. Eu nunca tinha visto o cara no palco e folgo em dizer que ele é tudo o que eu esperava: uma entidade, um elfo, uma bicha louca, uma criatura terna e assustadora ao mesmo tempo. Costurando poemas da mãe suicida com canções de que ela gostava, Matheus aos poucos vai construindo um retrato do que é essa ausência em sua vida. Tem até número de plateia, dos mais tristes e bonitos que eu já vi, além de uma arrematada com os versos que eu mais gosto, "Eros & Psiquê" de Fernando Pessoa. Uma experiência teatral única e intransferível.

2 comentários:

  1. Deixemos d coisas cuidemos da vida
    senão chega a morte ou coisa parecida
    e nos arrasta moço sem ter visto a vida
    ou coisa parecida aparecida

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  2. O mio babbino caro
    Oque seria acaso ou coincidência, é, um lance de dados não abolirá o acaso, porém fico com a synchronicity: Hoje pela manhã, ouvi Pássaro da Manhã.

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