sábado, 8 de abril de 2017

EU NÃO SOU ENTENDEDOR


"Eu Não Sou Seu Negro" estreou no Brasil bem no meio da temporada do Oscar - da qual, aliás, ele fazia parte, pois foi indicado a melhor documentário. Mas tinha tanta coisa para ver que eu acabei perdendo o filme no cinema. Ainda bem que ele já esteja disponível nos serviços de pay-per-view, e quer saber? Acho que eu prefiro ver documentários em casa. Talvez porque eu não me distraia com a pipoca e a mensagem entre mais rápido na cachola. Aqui ela é devastadora: um poderoso libelo contra o racismo, nas palavras do escritor James Baldwin. O autor de "O Quarto de Giovanni", livro obrigatório no currículo de qualquer bicha que se preze, queria escrever sobre a vida dos três grandes líderes negros que foram assassinados nos Estados Unidos na década de 1960: Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King. Mas ele nunca passou das cartas que enviou ao seu editor, e são elas que Samuel L. Jackson lê em off, num tom muito mais suave que de costume. "Eu Não Sou Seu Negro" me deixou encafifado. A escravidão no Brasil foi tão cruel e até mais longa que nos EUA. No entanto, não tivemos aqui leis explicitamente racistas, nem os conflitos por direitos civis que rolaram por lá. Será que é só a nossa miscigenação, maior que a deles, que explica isto? E no entanto os negros americanos estão numa posição melhor do que os brasileiros, apesar de não chegarem a 20% da população. Preciso ler mais, para entender melhor.

20 comentários:

  1. O mio babbino caro
    Se todos fossem iguais a você: "Preciso ler mais, para entender melhor.", não seriamos submetidos a tanta estupidez.

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    1. Babuino deveria escutar as próprias palavras e segui-las.

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    2. 21:19 Gostaria de acreditar que não houvessem pessoas com espírito tão miserável. Sirva-se ser ridículo é um direito todo seu, e a vergonha toda sua. Mesmo assim procure ler os livros citados, vai te fazer bem, ser gay ainda leva pessoas a serem amargas como você.

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  2. Talvez aqui não tivemos leis explicitamente racistas porque a divisão social entre brancos e negros nunca precisou ser codificada. As normas sociais por si só já faziam esse trabalho. Mas essa é uma pergunta interessante. Sempre me perguntei porque no Brasil essas leis não existiram enquanto que nos EUA eles tiveram as leis Jim Crow.

    De qualquer forma, o fato de que no Brasil não tivemos leis codificando o racismo de forma alguma prova que o racismo aqui é menos forte ou menos consequente socialmente. Existem certas coisas no Brasil que existem só implicitamente, mas são mais persistentes do que a letra da lei.

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    1. Concordo completamente com você, 17:08!

      Tony, Nunca encontro esses livros que você indica como sendo obrigatório para qualquer bicha que se preze rsrs, um outro do Gore Vidal que você citou, também nunca encontrei, A Cidade e o Pilar, acho que era o nome.

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    2. A Cidade e o Pilar,inclusive, daria um excelente filme pornô.

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    3. Oooo Tony, não faz isto com nosso príncipe Vidal.

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    4. Que absurdo GIOVANNE é encontrado em qual sebo!

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  3. A escravatura nos EUA incluía ódio e separação total para brancos e negros e aqui não foi assim. Aqui os negros libertos ficaram na pobreza por ser o ser humano escroto e preferir ter um segmento da população pobre para servir. Nunca tivemos igrejas para brancos e negros separadas, exceto quando os negros se organizavam em irmandade e construíam a sua. Quando D. João VI chegou ao Rio, foi direto para um Te Deum na Catedral da capital da Colônia, que era... a Igreja do Rosário dos Pretos, na Rua Uruguaiana, igreja pobre e inacabada, e a Corte não entendeu nada. A razão foi que, quando desistiram de subir o Castelo, tentaram por essa sede religiosa em igrejas dos arredores do Largo do Carmo/ Praça XV, as irmandades não aceitavam e saia briga. Os pretos, irmandade mais nova e mais pobre, aceitaram até para conseguir ajuda para acabar a construção. Essa esculhambação, menosprezo pelo povo mas sem ódio e até tirando umas casquinhas, é o Brasil.

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  4. Sem querer ser chato mas às vezes os temas que você aborda na Folha são nais divertidos e legais de ler.
    Muitas vezes aqui tem coisas tristes e pesadas, o que me faz pensar: no dia a dia vc é uma pessoa leve e alegre ou pensativo e tristonho?

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    1. Na Folha eu escrevo no F5, que é um site de entretenimento. Lá eu falo, basicamente, de televisão e de como a internet reage ao mundo das celebridades. Mas nem sempre são assuntos levinhos: esta semana, por exemplo, só deu o caso José Mayer.

      Aqui no blog eu falou de um tudo - ou, mais especificamente, do que eu quiser. Comecei falando muito de boate, balada, noite, numa época em que eu era quase o rei do camarote. Depois enveredei pela política, e tem dias em que eu quero mudar de assunto mas não consigo, dada a situação bizarra do país.

      Na vida real eu sou uma pessoa leve e alegre, mas tenho andado muito pensativo e tristonho. Os últimos dois anos foram muito difíceis profissionalmente (estou longe de ser o roteirista de sucesso que alguns leitores me chamam) e eu também passei (aliás, estou passando) por problemas pessoais. Nada de saúde, graças a Deus, mas a vida não está fácil. Aliás, não está fácil para ninguém.

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    2. Tony como sempre muito elegante. Precisamos de alguém como você para ser porta voz dos gays. Mas acho que você nao aceitaria essa missão, que é bem árdua. Adoro o Jean Wyllys, mas ele é do tipo que mais atrapalha do que ajuda na causa lgbtqi.

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    3. Olha, eu já tento ser porta-voz aqui e na Folha. Sempre que eu posso, puxo a brasa para a nossa sardinha. Mas me candidatar a cargo público? Só se tivermos uma reforma política.

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    4. Nem com reforma daria certo, porque no fim a depravação de valores continuaria a mesma. É na política que os direitos civis são efetivados, mas nem me referia propriamente a política , na verdade nem pensei em política quando fiz o o comentário. Nos EUA, que possui uma realidade lgbtqi bem diferente da nossa, portanto uso os EUA apenas como ilustração , existem muitos porta-vozes lgbtqi que não estão necessariamente na política. Sei que você sempre puxa a sardinha porque te acompanho nos veículos onde escreve. É que você Tony tem o perfil certo para ser porta-voz da causa. Você é comedido, elegante e tem coerência político-ideológica (coisa, por exemplo, que Jean Wyllys não tem). Enfim, fica minha extensa colocação. Desculpa, acabei escrevendo demais, kkkk.

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    5. Por mais elegante e culto, Tony só seria eleito em SP se tivesse apelo ao eleitor hetero, pois o eleitor gay não conseguiu eleger ninguém, a Jean louca agrada os heteros da Praça São Salvador , no Rio, só assim ela é eleita.

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    6. 21:33 Jean, tem a grandeza de saber o significado de seu papel histórico e não se abalar, que venham outras leituras de nossa representatividade.

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    7. 10:23 Boa Noite Alice!

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    8. Se nem tudo está as mil maravilhas pra você que é bonito, famoso, bem casado e bem-sucedido imagine para nós reles mortais!
      É lindão, não tá fácil pra ninguém!

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  5. O problema do Brasil é o discurso da miscigenação, propagado por Gilberto Freyre (que chegou à tese da "democracia racial" em 1933, quando os EUA tinham leis racistas ainda). Racismo existe e é evidente no Brasil. O fato de ter havido mais miscigenação não faz com que este deixe de existir.

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    1. Qualquer Darkroon comprova essa tese.

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