sexta-feira, 21 de abril de 2017

AHMADINEJAD ERA

O Irã se diz uma democracia, mas o fato é que lá ninguém se candidata à presidência sem o aval dos aiatolás. Das 1.636 pessoas inscritas (incluindo 137 mulheres), só seis foram aprovadas: todos homens, todos ligados ao establishment religioso que governa o país há quase quatro décadas. O lado bom dessa história é que entre os barrados está Mahmoud Ahmadinejad, o mal-ajambrado, que foi presidente de 2005 a 2013. O cara radicalizou a corrida atômica iraniana, atraiu sanções que pesam até hoje e ainda teve uma reeleição contestadíssima em 2009, com saldo de mortos e tudo (um dos poucos que o apoiaram foi Lula, que comparou a revolta da oposição de lá a uma mera rusga entre torcidas de futebol, a única metáfora de que ele é capaz). Tudo indica que o atual presidente, o moderado Hassan Rouhani, continuará no poder. Foi ele quem quase chegou a um tratado de paz com Barack Obama - mas agora, com Trump na Casa Branca, não dá para prever o que quer que seja.

9 comentários:

  1. Oficialmente, o Irã diz que quer desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos. Só que o resto do mundo não acredita e por isso esse celeuma todo.
    O Irã não é a Coreia do Norte. É um país razoavelmente desenvolvido e, até a revolução, era mais aberto que alguns vizinhos. Você não acha que eles não tem o mesmo direito de explorar energia nuclear para fins pacíficos como todo o resto do mundo? Você confia no governo atual do Irã? (to perguntando a sua opinião mesmo)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acredito que nenhum país queira desenvolver tecnologia nuclear apenas para fins pacíficos. O próprio Brasil começou seu programa nuclear nos anos 1970, sob o regime militar, também pensando na bomba atômica.

      É compreensível que o Irã também queira a bomba. Seu vizinho a oeste, o Paquistão (com quem mantém boas relações) já a tem. Mas seu grande rival regional é a Arábia Saudita. Os dois competem para ver quem tem mais influência no mundo muçulmano (os iranianos são xiitas, os sauditas são sunitas).

      Mas de fato há uma classe média culta e sofisticada nas grandes cidades do Irã, o que vem desde os tempos do xá. É ela que pode forçar as mudanças.

      Excluir
    2. Faz parte da estratégia das nações poderosas e seus políticos que as guerras ocorram sempre em algum outro país, a União Soviética e os Estados Unidos deveriam lutar no Afeganistão. Então é o povo do Afeganistão que é morto, o Afeganistão tornou-se um cemitério e os Estados Unidos e a União Soviética estão ambos lucrando com a venda de armas. Eles estão enviando seus especialistas, suas armas, pois eles estão treinando os afegãos e os afegãos estão matando outros afegãos. Um lado tem armas dos Estados Unidos, o outro lado tem armas da União Soviética.A Coreia do Norte, o Irão e outros ... querem entrar no negocio da guerra e as grandes potencias armamentistas não querem concorrência

      Excluir
    3. "Irão". Você é português?

      Excluir
  2. Tony nenhuma nota sobre a polêmica em redor da série 13 reasons why?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu fiz uma coluna sobre "13 Reasons Why" semana passada no F5:

      http://f5.folha.uol.com.br/colunistas/tonygoes/2017/04/cinco-razoes-por-que-13-reasons-why-e-a-serie-do-momento.shtml

      Excluir
  3. E o Irã tem aquela lei que se você for gay pode fazer cirurgia de redesignação sexual. Correto tony? A sociedade iraniana é uma classe no mínimo bastante interessante no Oriente Médio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pode, não: TEM que. O Irã está bem à frente de sua vizinhança quando aceita a transexualidade, mas só ela. Um gay cis que não queira ser operado (tipo eu) vai para a forca.

      Consta que o aiatolá Khomeini, o fundador da república islâmica, foi abordado por uma mulher trans que o comoveu com sua história. Desde então, a transexualidade é tratada no Irã como um defeito genético corrigível por cirurgia.

      Excluir
    2. Seria bom ouvir relatos de como vivem pessoas trans no Irã. Ou isso já existe registrado? Ah, e mulheres que querem fazer a transição para o masculino também podem/devem? Ou a transição só é para mulheres trans?

      Excluir