quinta-feira, 16 de março de 2017

O MENINO COM O DEDO NO DIQUE

Ufa. Ao contrário do que previam os arautos do apocalipse, a extrema-direita não saiu vencedora nas eleições holandesas. Não foi exatamente derrotada: o PVV, partido do alucinado Geert Wilders, ganhou 19 cadeiras no parlamento, o mesmo que outras duas agremiações. Mas dificilmente fará parte da próxima coalizão que governará o país. Quem se deu bem foi o atual primeiro-ministro, Mark Rutte, cujo VVD levou 32 dos 152 assentos disponíveis - bem menos do que da última vez mas, provavelmente, o suficiente para se manter no poder. Eu, que nunca tinha ouvido falar do cara até semana passada (alguém por aqui se interessa pela política holandesa?), agora virei fã de carteirinha. Ele disse que a população do país deu "basta ao populismo errado" - o que levanta a questão, existe populismo certo? A médio prazo, os populistas só dividem a sociedade. Esse resultado mostra que a onda xenófoba-boçalista existe e é uma força considerável, mas que não está a ponto de conquistar todos os países civilizados. O que aconteceu nos EUA foi um acidente: é sempre bom lembrar que Trump só foi eleito graças ao arcaico sistema americano, pois perdeu de longe no voto popular. Agora é torcer para que a França mantenha a racionalidade no pleito de abril e, em setembro, a Alemanha.

Reza uma antiga lenda holandesa que um garoto chamado Hans Brinker teria descoberto uma rachadura num dique. Ele então passou a noite inteira com o dedo enfiado no buraco, enfrentando frio, fome, sono e sede, até receber ajuda na manhã seguinte. Com este ato de bravura, impediu o rompimento da barragem e salvou sua aldeia. Será que, no futuro, a vitória de Mark Rutte será comparada à história do menino com o dedo no dique?

18 comentários:

  1. Holanda é minha segunda casa, morei lá 20 anos .Mark Rutte faz parte da velha direita Holandesa . Fazendo uma comparação grotesca com o Brasil seria algo como Bolsonaro =Geert Wilder versus Marke Rutte= Michel Temer

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    1. Os holandeses escolheram entre o pior e o menos pior.Geert Wilder é xenófobo e euroxenófobo. Marke Rutte é apenas xenófobo.

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    2. 12:16 Se é verdade que não ganhou o fascista racista extrovertido, ganhou o extremista neoliberal (que também mostrou traços xenófobos eleitoralistas) , e que tem tido atitudes xenófobas e até racistas em relação aos países do sul da Europa e das periferias.. Em holandes chama-se a isto uma "Pyrrusoverwinning"ou seja uma vitória que na realidade é uma derrota.

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    3. Em português, uma "vitória de Pirro".

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  2. Tony, sempre te achei uma bixa de direita rsrsrs, hoje consigo entender o ranço com a esquerda radical, que acaba sendo bem parecida com a extrema direita, só que ao contrário. E o ranço maior ainda com a falsa esquerda que posa de proletária mas é dirigida pelo melhor AMIGO dos empreiteiros, banqueiros e pecuaristas. No fim, concordo que devemos procurar uma figura de centro esquerda que não faça parte de listas contaminadas.

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    1. Olha, hoje em dia eu acho que tendo à direita em termos econômicos (vou plenamente a favor da iniciativa privada, contra a interferência excessiva do estado na economia, pela racionalização e simplificação dos impostos, etc.). Mas sou totalmente de esquerda em termos sociais: pela igualdade total e absoluta, a favor do casamento gay, a favor do aborto, a favor da liberação de todas as drogas, a favor do desarmamento, a favor da total separação entre igreja e estado, contra a pena de morte e por aí vai.

      Os países que mais se aproximam desse meu ideal são os nórdicos: pouca regulamentação na economia, muitos direitos para a população.

      Já o modelo americano é pouca regulamentação, poucos direitos.

      Na China: muita regulamentação, poucos direitos.

      No Brasil: muita regulamentação, muitos direitos. Não tem dado certo.

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    2. Somos suecos de mente e alma hahahah

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    3. "eu acho que tendo à direita em termos econômicos (vou plenamente a favor da iniciativa privada, contra a interferência excessiva do estado na economia, pela racionalização e simplificação dos impostos, etc.). Mas sou totalmente de esquerda em termos sociais" Também me considero de "direita" em termos econômicos, mas não completamente, pois alguns mercados, como o financeiro, devem ser regulamentados sim, vide o que a não regulamentação dos mercados financeiros fez com a economia dos USA em 2008. Além do mais o estado deve promover a livre iniciativa e o empreendedorismo na nação, mas isso não quer dizer que só deva existir empresas privadas, deve sim existir um misto de empresa privada e estatais e o governo deve sim ter uma participação grande na economia empregando pessoal na educação, hospitais e assistência social, como ocorre nos países nórdicos: presam a livre iniciativa e o mercado, mas sabem que o governo tem um papel considerável! Nos países nórdicos a carga tributária é grande, mas tem resultados, já no Brasil a carga tributária é grande porém não temos as melhorias que os escandinavos têm.
      Nick

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    4. 14:25 Tony você é a favor ou contra cotas?

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    5. A favor, pela mais prosaica das razões: as cotas funcionam.

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    6. Falou amizade!

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  3. Pois é. Venceu o candidato da centro-direita.
    Se tudo der certo, na França vence o centrista Macron
    E na Alemanha ainda é cedo, mas o AfD não leva nada. Merkel está enfraquecida e Martin Schulz pode levar.

    A verdade é que pro RU, o Brexit é uma grande incerteza. Pra Holanda, uma saída da UE seria uma certeza: um caos. Os países menores dependem muito mais da UE do que o fortões.

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  4. E por aqui? Você acha que uma hipotética vitória do Bolsonaro em uma eleição para presidente seria um acidente? Você acha que ele tem chances para 2018?

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    1. Acho que não. Bolsonaro tem vários pontos fracos. Está no sétimo mandato como deputado federal e não tem nenhum grande projeto de lei aprovado, nada que beneficie a maioria da população de se estado. Nos debates, seu discurso agressivo vai assustar muita gente. E a direita provavelmente vai sair com um candidato tipo João Doria, que vai tirar muito eleitor do Bolsonazi.

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    2. O Doria, apesar de ser privatizador, tem um olhar para o lado social também, não é ligado a bancada evangélica e nem é ultra conservador. Se o nosso Trump for ele, eu vou achar ótimo.

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  5. Que nada!!! Os holandeses viram bem de pertinho a desgraça que se encontra o tal do Reino Desunido, o Brexit esta' servindo de lição pro resto dos xenofobicos europeus e estao sendo mais espertos pois o Reino Desunido ja era!!! Ta uma miséria total tanto economicamente como politicamente, e vão se fuder ainda mais quando ficarem fora da UE. Dai se darão conta da cagada que fizeram e irão de joelhos pedir a volta ao UE.

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  6. Extremistas de ambos os lados, vão enfiar o dedo no próprio buraco!

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  7. O mio babbino caro
    A última vez que estive em Recife, eles falavam que estavam vivendo a segunda invasão holandesa, o que seria a essa altura um bom Nassau sem Guararapes...

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