sexta-feira, 17 de março de 2017

HOLOCAUSTO ALTERNATIVO


Na primeira vez em que ouvi falar de negacionistas do Holocausto, não acreditei. Como que alguém pode refutar um fato histórico fartamente documentado, testemunhado por centenas de sobreviventes? Bom, acontece que o registro material do massacre dos judeus e outras minorias pelos nazistas não é tão abundante assim. Não existem fotos das câmeras de gás lotadas, pela mais óbvia das razões: quem iria deixar fazerem essas fotos? Mesmo assim, há indícios mais do que suficientes da matança nos campos de concentração e, acima tudo, o relato dos que conseguiram escapar. Mas no mundo da pós-verdade cada uma credita no que quiser, e sempre há quem apresente "provas" do que quer que seja. É por isto que "Negação" é um filme tão importante para os dias que correm, apesar de relatar um caso acontecido há quase 20 anos: um negacionista inglês processou uma historiadora americana que o ridicularizou em seus livros. A mulher saiu vencedora, mas é de se questionar se também não forneceu holofotes a seu desafeto, que arrebanhou ainda mais seguidores. "Negação" não tem efeitos especiais nem cenas de luta física (só verbal), mas é um pitéu para quem não se recusa a pensar dentro de uma sala de cinema. E ainda tem uma performance esplêndida do ator britânico Timothy Spall, quase irreconhecível por trás de uma careta permanente.

2 comentários:

  1. Ué, vc não é daqueles que defendem que até os monstros ignorantes tipo o Bolsonaro sejam expostos para "terem suas idéias refutadas em público"? Parece que essa estratégia vai bem, pois que golpe a personalidade do Bolsonazi levou depois da entrevista patética que a Folha fez com ele. As perguntas fáceis e a falta de firmeza da jornalista foram a definição perfeita de jornalismo fraco.

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  2. "A mulher saiu vencedora, mas é de se questionar se também não forneceu holofotes a seu desafeto, que arrebanhou ainda mais seguidores."
    Desculpa, mas se forneceu holofotes foi consequência. A historiadora Deborah Lipstadt foi acusada de difamação no judiciário inglês, nesse caso pelas leis inglesas ela como ré teria que provar sua inocência. Achar que um processo como esse não daria holofotes e consequentemente seguidores a David Irving é tão inocente. Um caso assim é um prato cheio para reacionários. O filme é ótimo. E mostra que David Irving no fundo sofria de inferiorizarão social. Para nossa alegria Deborah venceu o processo.

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