domingo, 26 de março de 2017

DRIVE BOY DOG BOY


Fui rever "Trainspotting" para me preparar para a continuação. Tenho o DVD há anos, mas só tinha visto quando passou no cinema, em 1996. E tive uma grata surpresa: o filme não envelheceu um segundo, continua vibrante e vital. É mais engraçado do que eu lembrava, com tiradas de humor negro e escatológico, mas também super trágico (claro que do bebê eu me lembrava bem). Já "T2 Trainspotting" é bom, mas podia ser mais curto e mais coeso. Nenhum dos dois longas tem exatamente uma história: são quase que coleções de esquetes sobre uma turma de amigos mucho locos. Nesta segunda parte, um deles - o violentíssimo Franco, feito pelo ótimo Robert Carlyle - agora trocou de lado, exercendo com garbo o papel de vilão. Os outros continuam mais ou menos como eram, apesar da heroína não ter mais o protagonismo na vida deles que tinha antes (mas ela ainda está lá - ô se tá). Há muitos momentos engraçados, mas paira uma melancolia no ar. Porque "T2" não deixa de ser um tratado sobre a passagem do tempo e o fim da juventude. A vida passou rápido para os drogadictos de Edinburgh: oportunidades se perderam, sonhos desmoronaram, looks se foram. Mas continua o desejo pela vida e a paixão pela música. Quando entra uma nova versão de "Born Slippy", então, tive que me conter para não sair gritando mega mega white thing lager lager lager.

7 comentários:

  1. AMO / SOU Trainspotting.
    Me lembro do impacto de vê-lo no cinema, em 96, ainda estava na faculdade e ficamos todos alucinados pelo filme. Tudo era muito novo, diferente, criativo, tudo se encaixou muito bem, os atores, a trilha sonora sensacional, a virada que estava acontecendo naquela época, em termos musicais, a música eletrônica tomando cada vez mais espaço.
    Como algumas pessoas ainda estavam ancoradas nos anos 80 enquanto os 90 já estavam pela metade, e não queriam aceitar as mudanças. Foi um timing perfeito, por isso fiquei com muito medo quando anunciaram a continuação (mesmo medo que eu tenho pelo Blade Runner 2049).
    Mas quero ver antes de tirar alguma conclusão...

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    1. Somente ficou a cena da latrina.

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  2. "a música eletrônica tomando cada vez mais espaço".... em 1996? kkkkk.

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  3. Tadinho... ele acha que música eletrônica é coisa recente.

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    1. Filha, claro que a música eletrônica existe desde muito tempo. Até o teremin é considerado música eletrônica, bebê.

      Só que o domínio dela nas pistas de dança, nas raves, só aconteceu mesmo a partir do início dos anos 90.
      Até então (e eu vivi bem esta época), havia muito pop eletrônico, que dividia as pistas com o pop convencional. Mas era formato pop, afinal de contas.

      O eletrônico pesado mesmo, como essa música tema do Underworld e outras que vieram depois, só conquistaram a hegemonia das pistas depois. Hoje em dia praticamente não se escuta pop/rock em nenhuma grande discoteca.

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  4. Gente, to velho mesmo... Ainda me lembro de me sacudir ao som de Born Slippy... De ter visto Trainspotting no cinema!

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