sábado, 18 de fevereiro de 2017

UM FILHOTE DE LEÃO, RAIO DA MANHÃ


"Lion" só foi indicado ao Oscar de melhor filme por causa da expertise em garimpar prêmios de seus produtores, os lendários irmãos Weinstein. Porque só a primeira metade é realmente excepcional: com um mínimo de diálogos (em hindi e em bengali), o diretor australiano Garth Davis reconstrói a saga do menino Saroo, que se perde do irmão mais velho numa estação de trem no interior da Índia e vai parar em Calcutá, a 1.600 km de distância. Saroo tem apenas cinco anos, acha que sua mãe se chama "Mãe" e mal sabe pronunciar o nome de sua aldeia. Depois de muitas peripécias, consegue ser adotado por um casal da Austrália. Vinte anos depois... aí começa a parte menos interessante. Agora homem feito, Saroo está obcecado em reencontrar o lugar de onde veio, que ele não faz a menor ideia de onde fica. Com a ajuda de uma namorada (na vida real foram duas) e do Google Earth, ele inicia uma jornada silenciosa, cheia de olhares tristes e alguma barriga narrativa. Dev Patel - com uma juba que valoriza seu perfil e remete ao título do longa, quando o Saroo verdadeiro tinha cabelos curtos - está indicado ao Oscar de ator coadjuvante, mas na claro que é o protagonista. Melhores do que ele estão Nicole Kidman (também indicada), como sua mãe adotiva, e o minúsculo Sunny Pawar,  o Saroo guri. "Lion" é bonito, bem acabado, com um final de lavar a alma. Mas sua segunda metade, prejudicada ainda mais pela mosca morta que é Rooney Mara, não justifica tanta badalação.

8 comentários:

  1. Impressão minha ou o Dev Patel está um pão? Como diria minha tia.

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  2. Nossa! Eu nunca tinha visto ou ouvido falar dele até agora. Acabei de ver trailer. Gente, que cara parecido comigo!:D

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  3. Lion é um filme emocionante do começo ao fim. Mesmo sabendo o final da história e quase tudo do meio dela - a mídia já contou repetidas vezes - o filme não perde interesse jamais. A culpa que Saroo carregava por estar em uma boa na Australia enquanto a família paupérrima procurava por ele nem Freud imaginou.
    Concordo com você em um ponto: a Rooney Mara é o cocô do cavalo do bandido.
    E você não contou se chorou muito ou demais.

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  4. Tony, você já fez algum post sobre o filme italiano "Suburra", que está disponível no Netflix?
    Excelente!!

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    1. Não, não vi ainda. Vou procurar. Obrigado pela dica.

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  5. Não fale assim da Rooney... Ela só precisa de um exorcismo pra tirar esse alter-ego que ela assumiu quando fez a Lisbeth...

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    1. Aahhahh verdade, ela realmente assumiu parte da personalidade da Lisbeth, as fotos dela antes de pegar o papel parecem de outra pessoa.

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  6. Eu assisti o filme e gostei muito, é de emocionar, e impactante saber se eu não estiver enganado que 80 mil crianças desaparecem na Índia por dia!

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