domingo, 19 de fevereiro de 2017

O BONDE DO TIGRÃO

Fui ao Rio ontem e resolvi inovar quando saí do Santos Dumont. Ao invés de morrer numa grana com um taxista que vai tentar me levar para Ipanema via Niterói, preferi conhecer esse prodígio que é o VLT, o nome irado que ganhou a versão moderna do velho bonde. O problema começou já na hora de comprar o bilhete. Uma das máquinas da estação só aceitava dinheiro, e claro que não dava troco. A outra tinha uma fila imensa de argentinos, tentando navegar as instruções em português. Quando finalmente adquiri meu RioCard, as portas do trem se fecharam na minha cara... Ainda bem que o próximo não demorou e, em menos de 10 minutos de trajeto deslizante, desci na Cinelândia, bem na frente de um acesso do metrô. Que, evidentemente, estava fechado. Uma placa avisava: "Entrada pelo acesso D no Passeio". Sem mapa, sem tradução para outra língua, sem nada. Como sou carioca e tenho noção de que lado fica o Passeio, toquei para o acesso D. Chegando lá, mais uma surpresinha: bilheterias fechadas. Sim, em pleno sábado pré-carnaval, numa das maiores estações da cidade. Felizmente o RioCard vale no metrô, e lá fui eu rumo à Praça General Osório. Resumo da ópera: o Rio continuará não tendo jeito enquanto não se assumir como cidade turística, que depende do dinheiro de quem vem de fora. Não adianta construir um bonde futurista se o mínimo de infra-estrutura em torno dele simplesmente não funciona.

12 comentários:

  1. Que coragem Tony! Não me vejo viajando ao Rio tão cedo. Muita confusão, desorganização, assalto etc.

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  2. Fico imaginando qual a dificuldade de se colocar placas em inglês dando informações turísticas básicas, como é feito em qualquer lugar desenvolvido do mundo.
    Não vão me dizer que o estado do Rio está falido e que por isso não pode colocar um aviso, nem que seja de cartolina escrito à mão, nos lugares.
    A gente somos inútil.

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  3. Faz tempo que não vou ao Rio, mas é desanimador ver que mesmo depois da Copa e da Olimpíada as coisas ainda estão assim, ê Brasiiiiiil !!!

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  4. O mio babbino caro
    Rio, Rio, mas ainda vale a pena ter alguma paciência com o Rio.

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    1. O Rio tem vocação para grandes eventos, aí, razoavelmente funciona. Tanto é que de modo geral ao final, tem uma boa avaliação.

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  5. O rio nunca funciona em nada e sempre será assim!

    Quanto aos turistas, as placas em inglês é o que menos importa afinal turista se vira, o que eles mais querem é nao serem roubados ou mortos!

    Mas tudo indica que os evanjas vão conserar tudo isso...kkkkkk

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  6. O Rio de Janeiro e o Brasil deveriam assumir que não servem para mais nada além de turismo, indústria, mineração, etc e etc aqui tem que servir pra dinheiro se troco (ou assumidamente de caixa dois). Inadmissível uma cidade como essa ~e um país~ ter menos turistas e ganhar menos dinheiro com turismo que a insossa Buenos Aires.

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  7. O Rio nas olimpíadas estava muito bom, bem policiado e com indicações precisas dos locais.
    Primeiramente, por onde se andasse, você encontraria polícia e forças armadas em prontidão , o que transmitia a sensação de segurança. Vi inúmeros turistas com celulares despreocupados no centro em fotos e mais fotos sem qualquer problema. Outros desbravavam a cidade apenas por metrô ou ônibus tranquilamente. Em vários museus e cartões-postais vi pessoas tranquilas e aproveitando aqueles momentos de paisagens deslumbrantes, ainda que com tantos problemas que nós conhecemos.
    Quanto as indicações, haviam muitas placas e pessoas dispostas a "dar uma força" em trajetos desconhecidos.
    Embora tudo isso estivesse a contento, os táxis sempre abusam dos turistas. Nunca vi tamanha falta de educação e intimidação por parte de vários, inúmeros, motoristas. Você se sente refém ao entrar em um daqueles carros com tanta grosseria e intimidação. Fazem trajetos longos, perguntas intimidatórias, criam um jogo psicológico que é terrível. Preços que aumentam, taxímetros que desligam, enfim... Tem que ficar calado o máximo possível para não ser esculachado (mas todo mundo acaba sendo).
    Hoje, voltei ao Rio. Tudo diferente. O pequeno alívio voltou ao normal. Muita coisa sem funcionar, o próprio VLT às vezes para, a cidade sem qualquer indicação e pouco policiamento. Só continua igual a postura dos taxistas.
    Crivella, pelo jeito, não fará nada para aprimorar isso em uma Estado e municípios quebrados. A situação é no mínimo triste, para utilizar-me de um eufemismo.
    Uma cidade essencialmente turística, mundialmente conhecida, padece de problemas que poderiam ser resolvidos com trabalho sério e medidas rápidas, fáceis e simples como terminais bilíngues no VLT. Mas, não. Ninguém enxerga. Logo, como disse outro colega, outros insípidos destinos ganham o lugar do Rio.
    Triste Rio. Só nos resta chorar copiosamente na Baía da Guanabara para tentar melhorar a qualidade da água.


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    1. "Embora tudo isso estivesse a contento, os táxis sempre abusam dos turistas. Nunca vi tamanha falta de educação e intimidação por parte de vários, inúmeros, motoristas. Você se sente refém ao entrar em um daqueles carros com tanta grosseria e intimidação. Fazem trajetos longos, perguntas intimidatórias, criam um jogo psicológico que é terrível. Preços que aumentam, taxímetros que desligam, enfim... Tem que ficar calado o máximo possível para não ser esculachado (mas todo mundo acaba sendo)."

      Endosso tudo o que você disse, e em especial isso dos taxistas. Tenho ódio mortal de taxista carioca. Já passei por cada uma...

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  8. fui nas olimpíadas e passei pelo mesmíssimo problema. tenho um amor profundo pela cidade mas desisti dela. ñ fui no NYEve ñ irei no carnaval, provavelmente não piso no RJ este ano, a ñ ser por algum compromisso profissional

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