terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

NÃO-DISNEY WORLD


Walt Disney criou um estilo de animação que se tornou o padrão vigente da indústria: animais antropomorfizados, cores fortes, muita música. Até hoje o estúdio que leva o nome de Disney e seu puxadinho, a Pixar, evoluem em cima dessas diretrizes, sem jamais romper com elas. São responsáveis pelos maiores sucessos de bilheteria do gênero e quase todo ano levam o Oscar de animação em longa metragem. Em 2017 não foi diferente, com "Zootopia", mas também é verdade que a Academia costuma indicar diferentes escolas ao prêmio. Foi o caso do brasileiro "O Menino e o Mundo" e também de dois títulos que estão em cartaz em SP sem a menor badalação. Um deles, "A Tartaruga Vermelha", é a primeira produção ocidental do badalado Studio Ghibli, do lendário Hiyako Miyazaki. Feito na Bélgica, é um filme adulto, sem diálogos e com uma boa dose de surrealismo (a família que sentou ao meu lado precisou ir embora depois que a criança começou a chorar). Um náufrago chega a uma ilha deserta e tenta escapar de lá numa jangada; a tartaruga do título não deixa. As metáforas propostas nem sempre são fáceis de decifrar, mas a experiência estética é incrível. É um bom filme para se ver depois de um beck.

Mais bonitinho é o suíço "Minha Vida de Abobrinha", que entretanto também está longe do cânone disneyano. O ponto de partida é barra pesada: um garoto vive só com a mãe alcóolatra, que o negligencia. Aí a mãe morre e o moleque vai para o orfanato. Mas o resultado é encantador, embora sem a explosão de felicidade que encerra títulos como "Moana". Apesar de ser feito com bonecos, "Abobrinha" é quase um filme realista. Pena que não foi dublado em português, o que o restringirá no Brasil ao circuito de arte. Mas é o meu predileto entre os cinco finalistas ao Oscar deste ano.

3 comentários:

  1. Tony desculpa a pergunta mas vc é maconheiro?

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    1. Não. Já tentei várias vezes, mas engasgo e fico com sono. Mas não tenho nada contra. Aliás, sou pela liberação de quase todas as drogas.

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    2. O mio babbino caro
      O Tony é dos meus, Natural Mystic.

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