sábado, 4 de fevereiro de 2017

A INVENÇÃO DE CAMELOT


Jacqueline Bouvier Kennedy foi a primeira-dama americana mais popular de todos os tempos, até o advento de Michelle Obama. Na sua época as esposas dos mandatários não precisavam aparentar "simplicidade" e fala direto com o povão; ainda se valorizava uma allure aristocrática, e Jackie era o mais próximo de uma princesa que os EUA foram capazes de produzir. Essa figura emblemática já foi assunto de dezenas de filmes e séries, mas acho que nunca foi tão bem retratada como em "Jackie", dirigido pelo chileno Pablo Larraín (o mesmo de "Neruda"). Natalie Portman, uma atriz por quem não nutro muita simpatia, consegue emular à perfeição a voz vaporosa e os gestos delicados da mulher de JFK, e também cumprir o objetivo do roteiro: mostrar que, por baixo daquela aparente dondoca, havia uma mulher forte e inteligente. Toda a ação de "Jackie" se passa na semana seguinte ao assassinato que chacoalhou o mundo, em dois níveis interessantes. O primeiro foca nos detalhes absurdos, como o banho que ela toma em estado de choque, para se lavar do sangue do marido. O segundo conta como Jackie insistiu num funeral grandioso, para que John não fosse esquecido - afinal, ele passara apenas três anos na presidência, e mal passara das promessas de campanha. A turma que frequentava a Casa Branca em seu mandato ficou conhecida como "Camelot", a lendária corte do Rei Artur (e também o nome de um musical popular à época), por reunir o crème de la crème da arte e da cultura mundiais. Mas o filme insiste que Camelot é um mito, inflado por Jackie depois que ela voltou a ser uma cidadã comum. "Jackie" seria mais potente se perdesse algumas cenas (toda a sequência com o padre feito pelo recém-falecido John Hurt, por exemplo), mas é um excelente estudo de uma das mulheres mais marcantes do século 20.

14 comentários:

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    1. Vi em 1992, quando passou no cinema.

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    2. É muito bom, mataram ele pq ele n queria a guerra do Vietnã. Foda.

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  2. qual o legado desta primeira dama para o mundo?

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    1. Jonh F. Kenedy era uma estranha mistura do masculino e feminino, viril na sua firmeza com os russos, e nas suas partidas de futebol na Casa Branca, mas feminino na sua aparência elegante e graciosa . Nesta ambiguidade é que estava grande parte do seu encanto.

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    2. JFK era um manipulador de massas que moldou a sua expressão segundo a de James Dean e Hollywood o ajudou nisso . Ele fez os jovens se identificarem com ele ( a popularidade da figura do adolescente sem , iludido nos filmes de Hollywood o ajudou nisso

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    3. 19:31 O pai de Kenedy, foi produtor de cinema . Todas as ações de Kenedy eram moldadas segundo as convenções de hollywood e tudo era calculado para televisão

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  3. Interessante e interesseira, nunca engoli o casamento dela com o milionário Onassis, que fez sofrer tanto a minha diva Maria Callas.
    Ela não foi feliz com ele, nem ele com ela, já que o casamento dos dois era baseado em dinheiro, vaidade e poder. Tanto que no fim ele acabou voltando para a Callas.

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    1. No dia do casamento de Jacq com o Onassis, eu e a Callas jantamos juntos no Maxim's

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    2. E como ela estava, de ânimo?

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  4. Mulher forte e corajosa sobretudo pelo fato de perder o marido e sua vida virar da noite p o dia pós acontecimento.Vi o filme com meu namorado e gostamos muito.A cena do atentado é de chocar e muito! Impactante em todos os sentidos.

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