sábado, 14 de janeiro de 2017

TRA LA LA LA LA


Prepare-se para se decepcionar com "La La Land". O favorito ao Oscar chega ao Brasil já com tantos prêmios e críticas positivas que quase todo mundo vai dizer que esperava mais. Foi o que eu pensei depois do número de abertura, cantado em verso e prosa como sensacional, e que me pareceu uma versão piorada dos garotos dançando nos tetos dos carros em "Fame", de 1980. O romance entre os personagens de Emma Stone e Ryan Gosling também demorou a engatar, assim como o meu engajamento com o filme. Mas me engajei. A química entre os dois protagonistas é tão consistente que dá para passar no pão. Como em qualquer boa história romântica, a gente quer fazer parte daquele casal. A cena do planetário, com os dois dançando nas estrelas, é mágica pura. E então, do meio para o final, "La La Land" começa a discutir assuntos sérios. Vale a pena ter um emprego do qual você não gosta, só por causa do dinheiro? E o tempo que esse emprego demanda, quando você poderia estar correndo atrás do seu sonho? Mas será que você é bom o bastante para atingir este sonho? São perguntas que eu me faço, sei lá, todos os dias, e por isto "La La Land" de repente começou a ser bem mais do que um mero boy meets girl. Aí surgem conflitos totalmente críveis, e a agridoce sequência final, sem diálogos, é simplesmente sublime. Um amigo que viu comigo achou que Ryan Gosling traz pouca energia para o papel, mas acho que esse fogo baixo era mesmo o que seu pianista de jazz precisava. De qualquer forma, quem brilha mesmo é Emma Stone, adorável, divertida e comovente, Não vou ficar chateado se ambos saírem de mãos cheias da festa da Academia. "La La Land" é um encanto neo-retrô, que venceu minhas resistências. Sua maravilhosa trilha sonora está tocando na minha cabeça até agora, e eu já estou louco para ver de novo.

11 comentários:

  1. Achei um bom filme e concordo plenamente com sua resenha. Não vamos esquecer a grande propaganda de Los Angeles, que vem observando o turismo crescer e que agora terá mais incentivo nesse sentido.

    No final, acho que qualquer filme americano que sai um pouco do padrão ganha um "wow", mesmo havendo muitos outros melhores.

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  2. Não vou falar da Emma porque ele já está bem encaminhada para vencer o Oscar. Vou falar do Ryan. Ator talentosíssimo que sempre teve da Academia pouca atenção. Só tem uma indicação ao Oscar. Já deveria ter umas três, no mínimo, e já deveria ter um Oscar em suas mãos a tempos. Ele larga como favorito, mas tendo dois atores que o ameaçam.

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  3. "Pouca energia"? Pela primeira vez fiquei com tesão ao ver um cara sapatear.

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  4. É isso aí. Que diabo de filme encantador! Com referências, além de Fame, a West Side Story [as amigas, a própria coreografia no viaduto], a Parapluies de Cherbourg [a música], a Demoiselles de Rochefort [danças na rua], a An american In Paris [dança do casal em cenário francês bem teatral], a The Band Wagon [salão dançante coloridão] e ao mesmo tempo tão original! Emma Stone tem um dos rostos mais expressivos do cinema enquanto Gosling é um monólito, mas aquela piscada no final garantiu o Globo de Ouro.

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  5. Faz tenpo que o Gosling vem se preparando pra esse filme: https://www.youtube.com/watch?v=I9fUqiav_SA

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  6. Musicais, até quando insistirão nessa bichice.

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    1. Só enquanto houver bicha no mundo.

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    2. Chegaram as "héteras" para comentar...

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  7. Outra coisa importante: que roteiro heteronormativo! Os dois sonham em ter uma casa, uma hipoteca e um filho! Cadê os personagens gays em plena Hollywood? E os negros? Aquele cantor tá muito ali para justificar que o filme não é escroto nesse ponto, mas é, sim!

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  8. Aí surgem conflitos totalmente críveis, e a agridoce sequência final, sem diálogos, é simplesmente sublime.+1
    Só enquanto houver bicha no mundo.+1

    já ganhou né - vários - uns 6 pelo menos (oscars)

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  9. Tony adorei o Filme! Após ler a sua e algumas outras críticas, fui preparado pra me decepcionar mas fiquei surpreso no final.

    Chorei inclusive com o desfecho, uma leve bad por torcer por um final diferente.
    A química dos atores é muito real, já dava pra ver naquele outro filme que o Ryan e a Emma fizeram.

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