quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

LOVE IS ALL AROUND


Estudei num colégio semi-interno, das oito da manhã às cinco da tarde. O único dia em que saímos na hora do almoço era quarta-feira. E olha só que sorte: era justo o dia em que a Globo exibia "Mary Tyler Moore", a mãe da sitcom moderna. Minha cabecinha de adolescente ainda não entendia muito bem por que o programa tinha o nome da atriz se a personagem se chamava Mary Richards, mas vá lá. Eu me apaixonei por aquela mulher e aquela série. "Mary Tyler Moore" não era apenas muito bem escrito: era também um manifesto feminista, totalmente em sincro com o começo dos anos 1970. A protagonista era solteira, balzaquiana, profissional bem-sucedida e sexualmente ativa. Mary sustentava a si mesma, lutava por salários iguais aos dos homens e transava fora do casamento, olha só que moderno (e na Globo passava de tarde!). Foi um fenômeno de audiência nos Estados Unidos, ganhou um caminhão de Emmys e gerou spin-offs como "Rhoda", "Phyllys" e "Lou Grant", todos coadjuvantes da série-mãe. Também marcou para sempre sua estrela, que - apesar de uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 1980, por "Gente como a Gente" - nunca mais repetiu o mesmo sucesso. Nem precisava: ela já tinha entrado para a história da TV como a Laura Petrie do "The Dick Van Dyke Show", clássico dos anos 1960, e depois apareceu ao lado de Julie Andrews num dos meus filmes favoritos, "Positivamente Millie". Como se fosse pouco, produziu e atuou naquela que é tida como a melhor sitcom de todos os tempos. Mary Tyler Moore morreu ontem, aos 80 anos, depois de quase meio século lutando contra a diabetes tipo 1. Na Calçada da Fama da minha cabeça, é dela uma das primeiras estrelas.

4 comentários:

  1. Que lindo, Tony, e bacanas as informações! Não sabia nada disso, vou buscar essas referências, valeu.

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  2. O mio babbino caro
    Linda homenagem.

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  3. Olha, lembrei dela, eu assisti também, não associava a série, que pena, adoro este estilo anos 70 , senti emoção aqui!

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  4. Fazia meu radar pra diva disparar como poucas. Uma vibe sempre do bem. Que pena não ter tido visibilidade de uns quinze anos pra cá.

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