quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

HERMÍNIA SHOW


Vi o primeiro "Minha Mãe É uma Peça" em 2013, e gostei bem mais do que esperava. Mesmo assim, não estava louco para asistir à continuação. Quando esta finalmente estreou, pouco antes do Natal passado, eu nem me abalei. Achei que era o tipo de filme pelo qual valia mais a pena esperar chegar no Now ou coisa que o valha. Mas aí "Minha Mãe É uma Peça 2" se tornou um estouro de bilheteria. No momento em que cometo estas mal-traçadas, já bateu sete milhões de espectadores e ocupa o quarto lugar no ranking dos filmes brasileiros de maior sucesso de todos os tempos. Achei que precisava conferir de perto este fenômeno e, novamente, gostei mais do que esperava. O curioso é que, como da outra vez, não há exatamente um plot - ou melhor, há vários, mas nenhum é desenvolvido até o fim. Tem a filha que quer ser atriz, o filho gay que vira bi, a visita da irmã que mora no exterior, a tia que fica doente, a nova mulher do ex-marido e por aí vai. Quando alguma dessas tramas começa a engrenar, logo surge outra no lugar dela. Mas o resultado é plenamente satisfatório, porque no centro de tudo está Dona Hermínia. A criação de Paulo Gustavo já está no panteão dos grandes personagens cômicos brasileiros, ao lado de Didi Mocó e Filomena, e é ainda mais surpreendente por não ter se firmado pela TV. Inspirada na própria mãe do ator, ela tem um pouco da mãe de todo mundo, e é aí que mora seu segredo. "Minha Mãe É uma Peça 2" é pouco mais do que uma sequência de situações desalinhavadas: Hermínia vai às compras, Hermínia anda de avião, Hermínia dança na boate. Mas também é uma avalanche de piadas, coisa até rara no humor nacional. Por isto, o público sai contente do cinema. Eu também saí.

16 comentários:

  1. Já tô ansioso para ver “‘MINHA MÃE É UM PEÇA 11”

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  2. Esses números de bilheteria devem estar inflacionados artificialmente pra poder levar gente como vc ao cinema, que se deixa levar por "sucesso" de público.

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    1. Não, não estão. A apuração dos ingressos vendidos é controlada rigorosamente. Os números são confiáveis, pois envolvem grandes interesses (inclusive de empresas multinacionais) E as salas estão mesmo cheias, ao contrário do que aconteceu com "Os Dez Mandamentos".

      Portanto, esse "sucesso" não tem aspas. É sucesso mesmo.

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  3. Achei extremamente problemático o "filho gay que vira bi". Parentes homofóbicos - bem ao estilo "Senhora dos Absurdos" - foram ver o filme e endossaram seu discurso de que "orientação sexual é tudo uma escolha". Percebo que é essa a interpretação que o telespectador homofóbico - maioria da população brasileira e certamente maioria dos que assistem ao filme, ironicamente - irá ter. O Paulo Gustavo, como homossexual, deveria ter minimamente pensado nisso. Trabalhar a homossexualidade na tela é coisa séria, porque vivemos numa sociedade que quer nos ver mortos.

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    1. Em nenhum momento o personagem diz que "escolheu" ser bi ou ser gay. Se tem boçais entendendo isso, problema deles - eles entenderiam errado qualquer coisa mesmo, pois são boçais.

      E a sexualidade é mesmo fluida, sabia? Tem gente que muda e desmuda de orientação sexual a vida inteira.

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    2. Além do que é um filme de comédia, não um documentário sobre sexualidade. Se entrarmos nessa vigilância ou exigirmos que todos filmes tenham como missão educar o povo sobre homossexualidade, viraremos uma ditadura mais rápido do que nossa capacidade de defendermos a liberdade.

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    3. Se é fluida por que raios não se retrata um hétero depois de um tempo afirmando ser bi? Na imensa maioria dos casos é sempre um gay afirmando ser bi ou até mesmo hétero. Na boa, isso é homofobia, prática constante do cinema, da tv e de outras plataformas de humilhar a sexualidade de homossexuais. Agora o que tem de gente querendo camuflar isso não é brincadeira. Só porque é do meio artístico que vai querer dizer que é sexualidade fluida? Quando fizerem filmes em quantidades consideráveis de héteros se dizendo bi também, daí venham falar de fluidez sexual.

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  4. Eu não gostei tanto e pelo meso motivo. Nenhuma história engrena. Várias se perdem. Tem o sobrinho gay que nunca apareceu. A 3ª irmã que nunca foi mencionada antes e agora é mais uma pro time de "too many cooks". Parece que ia rolar uma treta na festa da televisão, mas é só impressão. A bissexualidade do filho que vem e vai de lugar nenhum.
    Vale o ingresso. Não vai ser nenhuma decepção monstruosa como foi o overrated La La Land.

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  5. Gente, algum filme comercial americano tem roteiro perfeito? Deixa esse filme fazer sucesso. É entretenimento; não é cult.

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    1. Tem alguém proibindo essa merda de lotar as salas? Ou falar mal está proibido pela polícia dos costumes?

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    2. Divergir não é proibir. Infelizmente em ex-colônia e ex-ditadura tem gente que acha que é.

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  6. Tenho pena de quem gosta desse humorista sem graça.

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  7. Paulo Gustavo é aquela biba equivocada que dizia que não era gay??

    Que pena ele não ter o talento cômico que ele ACHA que tem.

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  8. Parecem esquetes de um seriado que não foi adiante. Mas é bom! Aliás, seria muito melhor minha mãe é uma peça ter virado série (no lugar de Grande Família por exemplo) do que Vai que cola.

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