sábado, 28 de janeiro de 2017

GALICISMOS


Ouvidos desavisados não identificariam como francesa boa parte da música que eu consumo. Mas é, apesar de cantada em outras línguas ou mesmo instrumental. É o caso de Yann Tiersen, cuja obra mais conhecida por aqui é a fabulosa trilha de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Seu álbum mais recente chama-se "Eusa", o nome bretão de sua Bretanha natal - aquela península no noroeste da França em cuja ponta ficava a aldeia do Asterix. E é só piano e sons ambientes, como se tivesse mesmo sido gravado no alto de uma falésia. Um disco líquido, feito para a gente se afundar.

Luc Arbogast vem do outro lado da França, da Alsácia, onde começou a carreira cantando nas ruas. Depois participou da versão local do "The Voice" e foi logo eliminado, mas ficou famoso por seu trabalho com a música medieval. No recém-lançado "Metamorphosis", dá um passo além: as letras são em latim mas a instrumentação é toda eletrônica. Às vezes soa transgressor, às vezes soa brega a mais não poder. Os vídeos também não ajudam.


Cerrone foi um dos reis da era disco, quando produzia faixas épicas como "Supernature", que ocupavam lados inteiros dos saudosos LPs. Depois de um tempo na moita, o cara voltou à ativa e de vez em quando lança alguma coisa. Mas "Red Lips" não tem a majestade dos antigos clássicos: é uma coleção de musiquinhas dance, algumas até bastante boas, mas nenhuma com personalidade. Seu rival Giorgio Moroder fez um comeback mais triunfal, com mais estrelas nos vocais.

4 comentários:

  1. O primeiro é um Brian Eno francês. O segundo é um Enigma francês. O terceiro é um Giorgio Moroder francês.

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  2. Faz um post sobre isso? https://www.youtube.com/watch?v=ur9KYu-Q-1g

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  3. Tony, você já leu o artigo do Pondé na Folha intitulado "A conta do sofrimento masculino com a emancipação feminina já chegou"?

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  4. ao 16 e 32 - ainda bem que são franceses mesmo !

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