sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

É PRIMAVERA


Era uma vez uma menina rebelde que escapulia de casa à noite para cantar com sua banda. Contando assim parece a história da Rita Lee, não fosse também a trama de "Assim que Eu Abro Meus Olhos". O filme chegou a ser anunciado como o representante da Tunísia no próximo Oscar, o que acabou não se confirmando. Interferência de forças ocultas? Talvez, porque a ação se passa alguns meses antes da Primavera Árabe. A Tunísia foi o berço do movimento e o único país da região que conseguiu se livrar de sua ditadura sem cair em outra, mas ainda há muito o que fazer. Os personagens principais são mãe e filha, bastante ocidentalizadas. Nenhuma das duas usa véu, e a garota, além de ser cantora, também bebe, fuma maconha e transa adoidado (tem até uma rápida cena de nu frontal dele, que é feio pacas). "Assim que Eu Abro Meus Olhos" não tem nada de sensacional, mas é interessante ver a vida nesse lugar espremido entre duas culturas, contaminado pela corrupção em todas as esferas na época de Ben Ali. Minha maior ressalva é mesmo com o final pessimista - afinal, faltava pouco para as flores brotarem.

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