quinta-feira, 10 de novembro de 2016

TANTO MAR, TANTO MAR


O intercâmbio cultural entre Portugal e Brasil é muito maior de cá para lá do que o contrário. É muito raro, por exemplo, que cantores brasileiros gravem os compositores contemporâneos portugueses. Lembro de Maria Bethânia cantando a "Balada de Gisberta" do Pedro Abrunhosa, e olhe lá. Já os lusos volta e meia atacam de Tom Jobim, Vinícius de Morais e até mesmo Marina Lima ou Marisa Monte. É nessa tradição que se encaixa "Até Pensei que Fosse Minha", o novo álbum do António Zambujo, inteiramente dedicado à obra de Chico Buarque. Tem algumas escolhas não-óbvias, como "Folhetim" (que eu nunca havia escutado na voz de um homem) ou a primeira faixa de trabalho, "Injuriado". Mas para mim os melhores momentos são "Cálice", que no sotaque tuga ficou ainda mais dramática, ou "Joana Francesa", que virou um dueto com o próprio autor. Depois de um encantamento inicial com o fado bossa novístico de Zambujo, andei enjoando do repertório recente dele, repleto de musiquinhas engraçadinhas. Mas este disco o redime, e revela novas texturas em canções familiares. Agora precisamos dar o troco.

3 comentários:

  1. Você quis dizer o contrário? Esse intercâmbio é maior de lá para cá...

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    1. Não sei onde. Nossos artistas vão fazer turnê lá , mas quase nunca o contrário. A Globo exporta todas as novelas e ainda produz mais umas exclusivas só pro mercado luso. Enquanto isso... Roberto Leal cantava no Viva a Noite do Gugu.

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    2. de cá para lá, pelo Bolivariano...

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