segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O GOVERNO DOS SÁBIOS

Já declarei diversas vezes aqui no blog que a minha forma de governo favorita é o despotismo esclarecido. O problema, óbvio, é encontrar o tal déspota. Agora estou tentado em aderir à epistocracia. Tudo por causa de uma entrevista interessantíssima que saiu na Folha de hoje, com o filósofo americano Jason Brennan. Ele acaba de lançar (em inglês) um livro chamado "Contra a Democracia", onde expõe a ideia provocante de que os sistemas democráticos atuais, por lindos que sejam, vêm falhando miseravelmente no mundo inteiro. Exemplos não faltam: a vitória do Brexit, a derrota do tratado de paz na Colômbia e até mesmo (vira essa boca pra lá) a possível eleição de Trump nos EUA. Aliás, se isto acontecer, vai ser a desmoralização total das instituições americanas, que permitiram que esse boçal cafajeste despreperado filho da puta chegasse onde chegou. É justamente para evitar aberrações do gênero que Brennan defende a epistocracia, o "governo dos sábios" - que, apesar de ser discutida desde a Antiguidade, jamais foi implantada para valer. Nela, apenas quem tem conhecimento tem direito a voto. Buááá, injustiça, sacanagem, e o povão ignaro? Bom, basta lembrarmos que, em quase todos os países democráticos, algo entre 40 e 60% da população não está nem aí para as eleições. Então, por que não deixar o voto na mão de quem realmente se interessa pelo assunto? Para poder votar, a pessoa teria que passar por um exame - assim como existem exames para motorista, médico, advogado, essas coisinhas desimportantes. Buááá, erros serão cometidos, gente desqualificada vai conseguir passar? Bom, me diga aí qual critério de seleção que é perfeito. Somos humanos, erraremos para sempre. De qualquer forma, há algo de inerentemente revoltante na epistocracia, quando pensamos que ela exclui tanta gente do processo decisório, e que também pode ser facilmente manipulada para o mal. Mas foi ótimo saber de sua existência. Para quem quiser se aprofundar: existe um site (em inglês...) e até mesmo um perfil no Twitter. De pé, estudados da Terra!

19 comentários:

  1. Tony, entendo que a epistocracia nos protegeria de bossais como Marcelo Crivella, Dória e Jair Bolsonaro. Mas entenda que esse filósofo fala em países democráticos, o que não é o caso do Brasil.
    No sistema proposto, no caso do Brasil, as elites tratariam apenas de se reproduzirem e esqueceriam o povo de vez dado que esse não é importante para elegê-los.
    Não temos maturidade política e social para tal. Somos muito oportunistas para tal.
    Acho esse sistema válido quando temos a ideia de coletividade bastante desenvolvida entre as diferentes classes sociais de uma nação.

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    1. "Tony, entendo que a epistocracia nos protegeria de bossais como Marcelo Crivella, Dória e Jair Bolsonaro."

      Porque Freixo, Haddad e Lula são seres iluminados que representam o suprassumo do ideal da coletividade segundo... o anônimo das 13:36!

      Impressionante a pobreza intelectual a que se resumiu quem ainda segue as cartilhas de esquerda (escritas e publicadas por nossos excepcionais e redentores partidos vermelhos).

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  2. Concordo, Tony.
    A democracia é melhor do que tudo que veio antes dela, mas já, há muito, se mostrou um sistema insuficiente pra o futuro.
    Hoje, ela ainda é uma ideia sagrada.
    Nem sei se um dia vai deixar de ser.
    O fato é que sendo a maioria da população de baixa escolaridade, as escolhas dessa parcela da população vão quase sempre ser reflexo da falta de informação ou da falta do poder de interpretar essa informação. Hoje, a maioria vota por simpatia ou por fé num candidato, e não por informação...
    Eu já ficaria satisfeito se os candidatos fossem obrigados a ser "sábios".
    Além de uma ficha limpa irretocável( muito além da lei meia boca de hoje), deveriam os candidatos ser obrigados a passar por rigorosos exames antes de poder se apresentar como candidatos.
    Ou seja, um concurso público de provas e títulos, após o qual os habilitados pudessem se candidatar ao voto popular...
    O nível dos eleitos iria aumentar muito, e o povo continuaria com o poder de voto...

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    1. A democracia tem se mostrado ineficiente para imposição da agenda de esquerda. Por isso, e não por reflexões filosóficas profundas e realmente válidas, que começaram a pulular críticos da participação popular nas hostes esquerdistas;

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  3. Aparentemente me parece um caminho a ser seguido mas não acho que resolveria muita coisa não, eu mesmo perdi a fé na humanidade!
    Felizes mesmo são os ignorantes!

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  4. Eu estava neste final de semana discutindo esse assunto, com uma variação: pessoas com QI mais alto (ou qualquer outra forma de medição de inteligência) teriam um voto que valeria uma pontuação maior. A pontuação iria diminuindo conforme a queda do QI. Porém também seria necessário avaliar o emocional. Mas pensei em algo semelhante.
    Pode não soar justo, mas a democracia está mostrando que também não é tão justa assim.

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    1. Lourival, conheço um cara que adorava discutir uns lances parecidos: Hitler, Adolf.

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    2. Teria que avaliar o Q.I., o emocional, a cor da cueca e a dieta. Isso tudo até selecionar apenas aqueles que votassem segundo a vontade dos iluminados.

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    3. Desde q eu nasci que nao vejo tempos tao ruins. A quantidade de asneiras eh infinita.

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    4. O PT é indefensável. Demagogos e corruptos. Simpatizo com o levante em direção a direita mas, quando leio comentários como esse, tenho muito medo do que está por vir. Como um bispo evangélico foi eleito, não duvido que consigam aprovar esse teste de QI para votantes...
      Saudades do bom gosto e inteligência dos ptistas tem horas...

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  5. Tony lindo,

    Seus exemplos (Brexit, Colômbia e um eventual Trump) só são negativos segundo os SEUS valores subjetivos. Não há uma gota de racionalidade ou objetividade em suas presunções (xingar de racista, fascista, homofóbico, machista, xenófobo, feio e bobo não é argumentar).

    O problema é que você toma as suas referências individuais e do seu grupo social como verdade, incorrendo em um erro que suas reflexões só são capazes de identificar quando parte do outro. Os europeus que chegaram na América no século XVI agiram da mesma forma em relação aos indígenas daqui.

    Se o "boçal cafajeste despreparado filho da puta" vencer, e a santa Clinton perder, você, a maioria das megacorporações, os meta-capitalistas, o beautiful people de Hollywood e os grandes grupos da imprensa terão perdido. O povo - esse ignaro que deve ser proibido de votar por meio de uma seleção que estabeleça a hegemonia da única verdade - terá vencido. (Algo que os caciques dos EEUU estão profundamente empenhados para que não aconteça).

    Juro que desta vez você me assustou (e que este será meu último comentário neste post). Beijos!

    Ah, depois que li seu artigo no F5, estou considerando ainda mais cancelar meu pacote de TV paga e ficar só com a internet.

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    1. O bom é que o anônimo das 16:54 é a favor do povo lá, mas o povo daqui- que foi a maioria e que votou na Dilma aqui - ele não lembra e diz que os gatos pingados da paulista é que são o povo e não grande parte da população do nordeste!
      Nick

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  6. Não precisa tanto assim: basta acabar com o voto obrigatório. As massas sem instrução (ou interesse) não iriam mais votar, o que já seria um grande avanço.

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  7. O mio babbino caro
    A coisa anda tão feia, que estou até experimentando Roger Scruton.

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  8. E quem vai escrever a prova que vai julgar quem pode e quem não pode votar? Vai cair o quê na prova? Enem pra votar? Vou abrir um cursinho e ficar rico dando aulas de reforço.

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  9. Tony sempre flertando com a pós-modernidade, mas nunca vai no ponto.

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  10. Daqui a pouco aparece um dizendo que o poder de escolha deve estar (apenas) nas mãos dos homens, brancos, meia idade, ricos. E se o tal "conselho dos sábios" escolher o Brexit, ou dizer não ao acordo de paz na Colômbia? Ou seja...

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  11. A solução é investir em educação, não tem como fugir

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