terça-feira, 1 de novembro de 2016

MOSTRA MAIS UM POUCO


Tive uma boa Mostra. Vi 12 filmes, um recorde para os últimos anos, e quase todos bons. Infelizmente, "O Rei dos Belgas" não foi um deles, apesar da boa premissa. Durante uma viagem a Istambul, o rei Nicholas (imaginário) fica sabendo que a Valônia, a parte francesa da Bélgica, proclamou a independência. Ele precisa voltar o quanto antes para seu país, mas uma tempestade solar impede que qualquer voo saia do chão. O jeito é ir por terra, pelos Bálcãs, no ônibus de um grupo de cantoras búlgaras e fantasiado como uma delas... Tamanha forçação de barra seria perdoável se o filme fosse engraçado. Mas, tirando uma piada ou outra, "O Rei dos Belgas" não passa de uma tentativa de comédia feita por gente que não sabe fazer comédia. E, apesar de sua escassa hora e meia, parece durar o tempo que se leva para ir de ônibus da Turquia a Bruxelas. 


"O Jovem Papa" é uma série em oito capítulos que estreia em fevereiro na HBO brasileira. Mas, como eu vidrei no diretor Paolo Sorrentino desde "A Grande Beleza", fiz questão de ver o longa que ele armou com os dois primeiros episódios e que estreou no festival de Veneza. Confesso que me decepcionei um pouco: não há aquelas cenas de, aham, grande beleza que me impressionaram antes. O protagonista, um cardeal americano de 47 anos (Jude Law, com cabelos brancos) que de repente se vê consagrado papa, é um mistério. Uma hora é um fofo, na outra, um escroto. O filme termina num "cliffhanger", e claro que só farei um julgamento melhor quando o programa for ao ar. Mas valeu como aperitivo.


Os jurados de Cannes quiseram pagar de modernos e deram o prêmio de melhor atriz para Jaclyn Jose, de "Ma' Rosa". Ela é realmente boa, mas, apesar de seu personagem dar nome ao longa, não é a protagonista absoluta. Nem tem o star quality de Sonia Braga ou Isabelle Huppert, a quem derrotou. O filme é o representante das Filipinas no próximo Oscar, e conta uma história difícil de ser vista - talvez porque bastaria mudar a língua para que ele se passasse no Brasil. Ma' Rosa tem uma "sari sari store" numa favela de Manila: uma lojinha onde vende pirulitos, refrigerantes e crystal meth. Um dia a polícia a prende, junto com o marido junkie, e os três filhos têm que se virar para conseguir os 50 mil pesos exigidos como fiança (na verdade, propina). Boa parte da ação se passa dentro de uma  delegacia, e o tom hiperrealista faz com que às vezes pareça que estamos assistindo a um documentário. Não é exatamente meu tipo de filme, mas gostei de ter visto.

Um comentário:

  1. Papa Jude Law ou Papa Ewan McGregor do "Anjos e Demônios"? Em qual você ia?

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