segunda-feira, 28 de novembro de 2016

INFELIZ REGINA


A vida de Elis Regina não descreve um arco dramático tradicional. Sua morte, aos 36 anos de idade, não foi a culminação de um processo autodestrutivo ou coisa que o valha. Foi um acidente, quase tão bobo quanto um escorregão no banheiro. Daí a dificuldade de transformar sua trajetória numa história coerente. O filme "Elis" quase consegue. O roteiro é enxuto, sem barrigas, e a reconstituição de época é primorosa. Mas o melhor de tudo são os atores, quase todos perfeitos. Julio Andrade, por exemplo, está surpreendente como o bailarino Lennie Dale, talvez o primeiro artista publicamente gay do Brasil. Mas ninguém está melhor do que Andréia Horta no papel-título. Eu, que sempre tive uma implicância gratuita com a moça, acabei me rendendo. Ela captura não só os maneirismos, o riso aberto, o gestual de palco, mas também os demônios internos que assolavam Elis Regina. De onde vinham esses demônios, ficamos não sabendo. O filme perde força no final, dando a entender que a cantora vivia uma baita crise existencial - isto, apesar de ter três filhos pequenos, estar de namorado novo e prestes a gravar um novo disco. Mas por quê, exatamente? Por que a maior cantora do Brasil era tão infeliz? Os últimos dias de Elis permanecem um mistério. Talvez devam continuar assim?

7 comentários:

  1. Uma coisa me broxou neste filme e foi o mesmo que no filme do Cazuza. Os atores não cantam, mas dublam as músicas originais. ok que ela é atriz e não cantora, muito menos cover da Elis, mas os filmes americanos biográficos de músicos geralmente tem a trilha regravada. Do jeito que saiu, a trilha sonora é um Best Of. Seria legal se o cinema brasileiro tentasse isso nos filme biográficos de músicos.

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  2. tonyah tonyah - a senhourahh está ansiosa para ver 'silence' do martin scorsese?

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  3. Uma famosa cantora conhecida pela risada já confidenciou em off para amigos íntimos que Elis estava deprimida por ter sido rejeitada por um jovem cantor na época e que hoje é famoso pela quantidade de casamentos.

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    1. Essa história não tem nada de off. A própria Elis admitia, entre risadas, ter namorado o Fábio Jr. - que naquela época era pouco mais que um jovem efebo. Ela dizia que se caso com ele tinha sido seu dia de "tomar sorvete". Dava a entender que tinha sido só uma escapulida, sem grandes emoções. Além do Fábio, Elis também namorou Guilherme Arantes depois que se separou de César Camargo Mariano. Mas estava com o advogado Samuel MacDowell quando morreu, seu primeiro namorado fora do showbiz desde que começara a carreira de cantora.

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  4. Assisti hoje, gostei muito Tony!! Algumas falhas mas no todo é bem legal mesmo.

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  5. O filme omite que ela não estava sozinha quando morreu. Guilherme Arantes e Nelson Motta estavam juntos na festcheeeeenha.

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    1. Nunca ouvi falar disso, e olha que e sou bem informado.

      Fonte?

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